Ex-banqueiro muda estratégia e se volta contra o senador que chamava de “amigo de uma vida”, mas investigadores mantêm avaliação negativa sobre a proposta
A Polícia Federal segue sem se impressionar com as promessas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que reformulou sua proposta de delação premiada na tentativa de deixar a prisão o quanto antes. Dessa vez, o ex-banqueiro colocou na mesa a disposição de incriminar diretamente o senador Ciro Nogueira (PP-PI), classificando como propina os pagamentos feitos ao parlamentar — um político que ele próprio definia como “amigo de uma vida”.
Contrato milionário com escritório ligado a Moraes fica de fora
Além de mirar o senador piauiense, a nova versão do acordo traz outro ponto que chama atenção: Vorcaro propõe “pegar leve” com o ministro do STF Alexandre de Moraes. O ex-banqueiro está disposto a sustentar que Moraes não cometeu qualquer crime.
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Essa postura contrasta com fatos já públicos. Vorcaro assinou contrato com o escritório de advocacia da esposa do ministro no valor aproximado de R$130 milhões, dos quais R$80 milhões chegaram a ser efetivamente pagos. Conforme revelação recente da jornalista Lauro Gaspar, de O Globo, havia ainda um segundo contrato acertado, no valor de R$50 milhões, que não chegou a ser formalizado.
Mudança de advogado e nova abordagem
Agora sob orientação do advogado Sérgio Leonardo, o ex-banqueiro promete entregar o que a Polícia Federal espera ouvir. Entre os compromissos da nova proposta está o de atribuir seus pagamentos a políticos como tentativas de cooptação do senador Ciro Nogueira para defesa de seus interesses pessoais e empresariais.
As alterações na proposta já circulam em Brasília e vêm sendo acompanhadas com atenção por integrantes do mundo jurídico e político.
PF mantém ceticismo após primeira recusa
A primeira proposta de acordo de delação apresentada por Vorcaro havia sido rejeitada. Na ocasião, a PF avaliou que o ex-banqueiro não prometia relatar nada efetivamente relevante. Pesou nessa decisão o fato de que a perícia nos celulares apreendidos do investigado já havia impulsionado a investigação a um patamar muito além das pessoas que ele se propunha a entregar.
Segundo pessoas próximas à nova defesa do ex-banqueiro, a avaliação da Polícia Federal permanece essencialmente a mesma. A reformulação do conteúdo do acordo não mudou, até agora, a percepção dos investigadores sobre o real valor das informações oferecidas.
Risco de volta à Papuda
Caso a PF confirme a rejeição da proposta renovada, Vorcaro deve ser transferido de volta ao presídio da Papuda, localizado nas cercanias de Brasília. Desde março, o ex-banqueiro está preso em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal na capital federal, condição que vigorou durante o período de negociação do acordo de delação.