Ministro do STF defende flexibilidade nas relações trabalhistas em palestra sobre IA na USP, mas é alvo de manifestação sindical
Nesta sexta-feira (15), o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), participou de uma palestra na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, onde abordou os impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho. Durante sua exposição, destacou que o mundo inteiro está refletindo sobre novas relações contratuais de trabalho.
Segundo ele, o STF deverá julgar em breve a questão da chamada pejotização, e que todos os processos relacionados ao tema estão suspensos até que a Corte se pronuncie.
“Há um mercado de trabalho que já não é mais um mercado metalúrgico” – afirmou.
O ministro ponderou que a realidade de certos setores profissionais não se encaixa mais no modelo tradicional e mais rígido da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
“Em muitos casos”, motoristas e entregadores de aplicativo querem “flexibilidade” e não “a subordinação tradicional do direito de trabalho”.
🚨 BARROSO SEM VISTO E SEM PAZ: até evento na USP termina em barraco
— Paula Marisa (@profpaulamarisa) August 15, 2025
Luís Roberto Barroso, presidente do STF, palestrando sobre o mercado de trabalho… no Brasil. Aparentemente, depois que os EUA suspenderam o visto dele, sobrou a Faculdade de Direito da USP pra matar o tédio.… pic.twitter.com/zWLE8n64vM
Protesto sindical marca o evento
Durante o evento, sindicalistas organizaram um protesto no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP. Com faixas e palavras de ordem como “pejotização é fraude” e “eu digo não à pejotização”, manifestaram sua insatisfação com os rumos do debate.
Apesar da recepção tensa, os manifestantes mantiveram-se em silêncio durante a fala do ministro, permanecendo com os cartazes erguidos durante toda a apresentação.
Diálogo após a apresentação
Após o término da palestra, Barroso se reuniu com os manifestantes. De acordo com nota divulgada pelo STF, o presidente do Supremo “ouviu as preocupações do grupo, fez perguntas a respeito do dia a dia de trabalho e recebeu um manifesto em defesa dos direitos trabalhistas e da dignidade humana“.