Rubinho Nunes foi hospitalizado com suspeita de fratura no nariz após ser atacado por manifestantes; Adrilles Jorge também sofreu agressões físicas
O vereador do União Brasil Rubinho Nunes precisou ser encaminhado ao hospital com suspeita de fratura no nariz após ser agredido por estudantes que participavam de um protesto no Centro de São Paulo nesta segunda-feira (11). Imagens registradas no local mostram o parlamentar levando socos de manifestantes. Outro vereador do mesmo partido, Adrilles Jorge, também foi alvo de violência — ele relatou ao g1 que recebeu dois chutes na região da barriga, mas afirmou que “está bem” fisicamente.
Confronto entre parlamentares e grevistas marcou o ato
Rubinho Nunes e Adrilles Jorge compareceram à manifestação organizada por alunos e profissionais da USP, da Unesp e da Unicamp, que estão em greve. Os dois vereadores discutiram com os estudantes, e a situação rapidamente escalou para agressões físicas. Pelas imagens captadas durante o tumulto, é possível observar Rubinho desferindo chutes enquanto era atingido por socos dos manifestantes.
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Manifestação reuniu grevistas de três universidades estaduais
A concentração começou por volta das 14h30, quando os estudantes se reuniram em frente ao prédio da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Um cordão humano foi formado em uma rua no entorno da Praça da República. O protesto seguiu em direção ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, também na República.
“Hipocrisia! Educação não é caso de polícia”, gritavam os grevistas durante o ato.
A mobilização interditou trechos da Rua da Consolação no sentido da Avenida Paulista. A Polícia Militar utilizou bomba de gás para dispersar os manifestantes.
Reivindicações dos estudantes
A greve nas três universidades estaduais paulistas — USP, Unesp e Unicamp — cobra melhorias nas políticas de permanência estudantil e na estrutura física das instituições. Entre as demandas, estão o aumento de bolsas, a reforma das moradias universitárias e a manutenção dos campi.
O ato também cobrava a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado. O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e aguarda retorno.
Desocupação violenta da reitoria da USP na madrugada anterior
O protesto desta segunda-feira ocorreu um dia depois de uma operação da Polícia Militar para retirar estudantes que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo, no campus do Butantã, Zona Oeste. A ação aconteceu na madrugada de domingo (10).
Relatos dos alunos indicam que os agentes usaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a operação, conduzida de forma surpresa e sem aviso prévio. Vídeos gravados pelos próprios estudantes mostram policiais agredindo o grupo com cassetetes.
A assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que diversos alunos ficaram feridos. Quatro foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana, Zona Oeste da capital.
Posicionamento da Polícia Militar
Em nota, a PM afirmou que 150 pessoas foram retiradas da reitoria, que a ação não teve feridos e foi integralmente gravada por câmeras operacionais portáteis dos policiais. A corporação declarou que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
“Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”, disse a corporação.
“A Polícia Militar afirmou que os quatro estudantes detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas. A Polícia Militar ressalta que O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, afirmou.
DCE denuncia ilegalidade na ação policial
Em comunicado publicado nas redes sociais, o DCE-USP afirmou que os PMs formaram “um corredor polonês para espancamento e quatro estudantes detidos”.
“Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais”, afirmou o DCE.
“A ocupação já passava de 60 horas, não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial. Ainda no rol das ilegalidades, não há qualquer informação sobre a motivação real para a detenção de quatro estudantes, ou mesmo, quais condutas lhes foram imputados para que ensejasse o encaminhamento destes estudantes à 7ª DP”, disse o órgão.
Nota oficial da USP sobre a desocupação
A Universidade de São Paulo divulgou a seguinte nota na íntegra:
“A Universidade de São Paulo (USP) lamenta os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria, ocorrido na manhã deste domingo, dia 10 de maio.”
“Cumprindo seu dever de ofício de proteção da integridade física dos docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e terceirizados, bem como dos espaços físicos, a Reitoria informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais.”
“Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar. Segundo nota oficial da SSP, ‘a Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas’.”
A Reitoria destacou que manteve disposição permanente para o diálogo e acompanhamento dos encaminhamentos acordados nas negociações com o movimento estudantil. As tratativas, porém, chegaram a um limite diante dos seguintes fatores:
- Do atendimento de diversos itens da pauta por parte da Reitoria;
- Da constituição de sete grupos de trabalho para estudo de viabilidade de outros pontos da pauta;
- Da insistência em reivindicações que não podem ser atendidas;
- De itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica.
“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”, declarou a instituição.
A Reitoria informou que segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil.
➡️ Rubinho Nunes toma soco na cara durante protesto de estudantes em SP
— Metrópoles (@Metropoles) May 11, 2026
O vereador do União Brasil afirmou que precisou ser hospitalizado após o ocorrido em função de uma fratura no nariz pic.twitter.com/1NXoAne6Xu