Comentários do chanceler iraniano Abbas Araqchi irritaram Caracas e expõem rachaduras em aliança que durava mais de duas décadas
Uma parceria consolidada ao longo de mais de 25 anos entre Venezuela e Irã enfrenta turbulência inédita. A causa do atrito foi uma declaração do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, que afirmou que seu país “não é a Venezuela” ao tentar distanciar Teerã de comparações com a intervenção militar americana em Caracas.
Protesto diplomático de Caracas
Na terça-feira, 28, o governo venezuelano convocou o diplomata iraniano para entregar formalmente um documento de protesto. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela exigiu o fim de qualquer tipo de comparação que prejudique a imagem do país.
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Os representantes de Caracas classificaram as falas vindas de Teerã como ofensivas e inadequadas contra as autoridades locais. A reação veio logo após a repercussão internacional dos comentários de Araqchi.
Novo cenário político venezuelano
O episódio se dá num momento de profunda transformação política na Venezuela. Após a prisão de Nicolás Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o comando do país sob pressão da Casa Branca.
A nova gestão reabriu o diálogo diplomático com os Estados Unidos, que estava interrompido desde 2019. Além disso, Caracas busca reconstruir acordos comerciais no continente americano, sinalizando uma mudança significativa de postura.
Aliança histórica em xeque
A relação entre as duas nações remonta à chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Desde então, o vínculo cresceu com base no enfrentamento conjunto aos Estados Unidos e na cooperação no setor de energia.
Em 2025, o Irã chegou a vender cerca de 1,5 milhão de barris de gasolina para a Venezuela, suprindo a carência de refinarias no país sul-americano. Com a aproximação de Caracas em relação à Casa Branca, porém, essa aliança estratégica com os parceiros do Oriente Médio perde força de maneira acelerada.
A prisão do ex-ditador Maduro não apenas redesenhou o cenário interno venezuelano, mas agora provoca ondas de choque em relações diplomáticas que pareciam inabaláveis.