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Venezuela encerra processo contra juíza María Lourdes Afiuni após mais de 15 anos de perseguição

Justiça da Venezuela encerrou processo contra a juíza María Lourdes Afiuni após mais de 15 anos de perseguição iniciada no governo Chávez

Magistrada foi presa em 2009 após decisão judicial legítima e tornou-se símbolo de ataque à independência do Judiciário venezuelano

A família da magistrada María Lourdes Afiuni confirmou nesta sexta-feira, 7, que a Justiça da Venezuela encerrou definitivamente o processo movido contra ela, restabelecendo sua liberdade plena. O caso se arrastou por mais de 15 anos, período em que a juíza enfrentou , medidas restritivas e por um crime inexistente na legislação do país.

Condenação por “corrupção espiritual” e repercussão internacional

Em 2019, Afiuni foi condenada a cinco anos por “corrupção espiritual” — tipificação que não existe no ordenamento jurídico venezuelano. A defesa da magistrada classificou a acusação como um “crime fabricado”. A condenação somou-se a uma longa sequência de arbitrariedades que começaram em dezembro de 2009, quando ela foi detida por ter determinado a libertação sob fiança do banqueiro Eligio Cedeño.

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A juíza sustentou que sua decisão estava amparada pela legislação venezuelana e por uma recomendação da ONU, que havia questionado a prisão prolongada de Cedeño sem julgamento. Após ser solto, o banqueiro deixou o país.

Na época, o ditador Hugo Chávez pediu publicamente que Afiuni recebesse a máxima de 30 anos de prisão — episódio que escandalizou a comunidade internacional e expôs a falta de independência do Judiciário sob o regime.

Mais de uma década entre prisão e restrições judiciais

Afiuni ficou presa por dois anos antes de ser transferida para prisão domiciliar em razão de problemas de saúde. Em 2013, obteve liberdade condicional, porém seguiu submetida a diversas restrições. Organizações internacionais, entre elas a ONU, apontaram violações ao devido processo legal e classificaram a detenção da magistrada como arbitrária.

O caso transformou Afiuni em um símbolo global dos ataques do regime venezuelano contra a .

Decisão ocorre em meio a problemas graves de saúde

O encerramento do processo aconteceu enquanto a saúde da juíza se agrava. Segundo a família, exames médicos recentes identificaram “três lesões tumorais localizadas em diferentes partes do corpo que exigem atenção médica imediata para evitar danos irreparáveis ​​à sua saúde”.

Família celebra decisão, mas cobra reparação

Em comunicado assinado pelo irmão da magistrada, Nelson Afiuni, e pela advogada Thelma Fernández, a família declarou:

“A família da juíza María Lourdes Afiuni Mora acolhe com satisfação a decisão que encerra definitivamente o processo contra ela e lhe devolve plenamente a liberdade, encerrando formalmente um caso que jamais deveria ter existido”.

Os familiares, porém, ressaltaram que o fim das judiciais não apaga o que foi vivido. “O encerramento definitivo deste caso não apaga o sofrimento suportado, nem, por si só, repara os danos causados”, disseram.

A família também destacou que o caso deve servir de alerta permanente sobre o uso do sistema judicial como instrumento de represália por regimes autoritários.


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