Tsunami de cocô: onda de esgoto do México invade praia famosa da Califórnia e ameaça turismo
Moradores e turistas de Coronado, um dos balneários mais conhecidos do condado de San Diego, na Califórnia (EUA), enfrentam uma crise sanitária sem precedentes. Uma avalanche diária de esgoto vinda do México contamina as águas e o ar da região, forçando o fechamento frequente das praias e esvaziando as longas faixas de areia que antes lotavam de visitantes.
Origem da contaminação: o Rio Tijuana
O problema nasce no Rio Tijuana, que acumula grandes volumes de esgoto e deságua no Oceano Pacífico. A mistura de dejetos acaba sendo carregada pelas correntes até as águas de San Diego e localidades vizinhas, atingindo em cheio Coronado.
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Embora a poluição por dejetos vindos de Tijuana afete os Estados Unidos há anos, o cenário se agravou drasticamente nas últimas décadas. A população da cidade fronteiriça mexicana mais que dobrou em 30 anos, alcançando 2,3 milhões de habitantes, e sobrecarregou toda a infraestrutura de tratamento de esgoto.
38 milhões de litros por dia
Segundo especialistas, aproximadamente 38 milhões de litros de esgoto mexicano chegam a Coronado todos os dias. O fenômeno vem sendo chamado de “poonami” — um tsunami de cocô — pelas autoridades locais e pela imprensa americana.
O reflexo é imediato: as praias estão praticamente desertas. Em 2025, as faixas de areia em frente ao histórico Hotel del Coronado — cujas diárias podem chegar a mil dólares — ficaram interditadas por 129 dias em razão da inundação fecal. Boa parte desses fechamentos ocorreu no auge do verão.
Turistas impedidos e moradores sufocados
A turista Kristin Cohen, de 36 anos, moradora de Nova Jersey (EUA), relatou que tentou levar sua filha de 3 anos, Chloe, para tomar sol. Foi barrada por uma placa com o aviso: “Contato com a água pode causar doenças”.
Whitney David, de 63 anos, cirurgião aposentado e surfista que frequenta a praia na Baía de San Diego há décadas, lamentou a degradação ao “Wall Street Journal”: “Era o paraíso na Terra, e agora eu o chamo de paraíso perdido”.
Gases tóxicos e cheiro de ovo podre
A crise não se restringe a quem entra na água. Larry Delrose, diretor de entretenimento do condomínio Coronado Shores, afirma que precisa fechar as janelas várias vezes por semana para bloquear o odor de esgoto. Moradores descrevem um cheiro persistente de “ovo podre” e denunciam a inalação de gases tóxicos.
“Nossos filhos estão acordando com dores de cabeça, nossos idosos estão com dificuldade para respirar e nossas famílias estão prisioneiras em suas próprias casas. Nosso ar é tóxico. Nossas praias são perigosas para a nossa saúde”, protestou Paloma Aguirre.

Promessas sem resultado
O governo Trump prometeu uma providência drástica para conter a crise, mas até agora a medida não saiu do papel. Enquanto isso, Coronado segue ameaçada de perder de vez seu status de paraíso turístico na costa californiana.