Presidente associa investigações com imigrantes da Somália a suposto esquema político
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a questionar publicamente a integridade do sistema eleitoral norte-americano e a defender a adoção obrigatória de identificação de eleitores. Em publicação feita nesta segunda-feira (19), Trump reiterou acusações de fraude e voltou a colocar em dúvida o resultado das eleições presidenciais de 2020.
“Eleições fraudadas são comuns nos EUA, sendo a eleição presidencial de 2020 a avó de todas elas”, escreveu o presidente. “Exigimos identificação de eleitor.”
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
A manifestação foi divulgada junto a um conteúdo que trata de investigações no Congresso sobre fraudes em programas de assistência social envolvendo imigrantes da Somália, tema que vem sendo explorado por parlamentares republicanos.
Republicanos falam em uso político de imigração e benefícios sociais
Segundo a narrativa apresentada por aliados de Trump, o caso investigado poderia fazer parte de um esquema mais amplo, no qual imigrantes ilegais e refugiados seriam utilizados para influenciar eleições federais e alterar critérios de representação política e distribuição de recursos públicos em favor do Partido Democrata.
Parlamentares republicanos sustentam que a revogação de decretos do primeiro mandato de Trump teria permitido que não cidadãos fossem contabilizados no Censo de 2020. Em seguida, afirmam que a política migratória do governo do então presidente Joe Biden facilitou a entrada de milhões de imigrantes ilegais pela fronteira sul.
De acordo com essa tese, organizações sem fins lucrativos teriam auxiliado na transferência desses imigrantes de Estados governados por republicanos para cidades-santuário em Estados controlados por democratas, além de apoiá-los na inscrição em programas de assistência social financiados com recursos federais.
Comitê da Câmara fala em “esforço coordenado”
O presidente do House Oversight Committee, o deputado James Comer, afirmou que há indícios de coordenação intencional no que descreve como um esquema eleitoral.
“Sem dúvida, isso foi um esforço coordenado para colocar mais eleitores democratas nesses Estados”, declarou em entrevista ao programa Just the News, No Noise.
Comer citou dados relacionados ao Estado de Minnesota, onde democratas vencem a maioria das disputas estaduais há mais de uma década. Segundo ele, promotores estimam que metade dos US$ 18 bilhões destinados a programas federais de assistência social no Estado tenha sido perdida em fraudes nos últimos anos.
O congressista também afirmou que “em Minnesota, 86% dos somalis estão no Medicaid”, acrescentando que o grupo recebe outros benefícios, como vale-alimentação, moradia, transporte e creche. Para Comer, isso configuraria “um esforço para criar um grande bloco de votação”.
Senado também conduz investigações
No Senado, o senador Rand Paul, presidente do Senate Homeland Security Committee, afirmou que conduz investigações semelhantes. Segundo ele, o problema não se limita ao uso indevido de programas sociais.
“Não é apenas dependência de assistência social”, afirmou. “É, na verdade, um golpe, e eles estão roubando o dinheiro.”
Paul criticou ainda organizações não governamentais que teriam recebido bilhões de dólares do governo federal para auxiliar na realocação de imigrantes ilegais, citando a US Conference of Catholic Bishops e a Hebrew Immigrant Aid Society. “É caridade dar o próprio dinheiro, não é caridade pegar o dinheiro de outra pessoa”, disse.
Autoridades locais negam irregularidades
A reportagem mencionada por Trump também traz críticas ao governador de Minnesota, Tim Walz, e ao procurador-geral do Estado, Keith Ellison. Ambos negam irregularidades e afirmam que não ignoraram alertas sobre fraudes.
Ainda assim, investigadores federais avaliam depoimentos de servidores estaduais que alegam ter comunicado problemas às autoridades sem que providências tenham sido tomadas.
Trump fala em ampliar apurações para outros Estados
Trump afirmou recentemente ter ordenado a abertura de investigações na Califórnia, afirmando que “a investigação de fraudes na Califórnia começou”. Um relatório do auditor estadual classificou oito agências como de “alto risco” para fraude, incluindo o programa de assistência alimentar CalFresh.
As novas declarações reforçam a estratégia de Trump de manter o tema da fraude eleitoral no centro do debate político, enquanto pressiona por mudanças estruturais nas regras de votação antes dos próximos ciclos eleitorais.