Organização critica ausência de medidas e menciona repasse milionário ligado a investigações
A atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi alvo de críticas da Transparência Internacional nesta sexta-feira, 20. A entidade afirmou que o Ministério Público Federal não tem adotado providências diante de fatos recentes envolvendo a holding J&F, controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.
Em manifestação pública, a organização questionou a postura do órgão. “Até quando a PGR permanecerá inerte?”, publicou em redes sociais. “A J&F, protagonista de um dos maiores esquemas de corrupção da história, injetou R$ 26 milhões na empresa que negociou com o fundo que Toffoli era sócio oculto.”
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Transferência milionária está no centro das críticas
A cobrança ocorre após a divulgação de uma movimentação financeira identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo os dados, a J&F transferiu R$ 25,9 milhões à PHB Holding no ano passado.
A empresa é controlada pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços às companhias dos irmãos Batista.
Negócio envolve resort ligado a familiares de Toffoli
A PHB Holding adquiriu participação no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), ao comprar cotas da empresa Maridt.
A Maridt, por sua vez, tem como sócios irmãos do ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso passou a ser citado em discussões sobre possíveis conexões entre decisões judiciais e movimentações financeiras.
Decisão anterior de Toffoli é lembrada pela entidade
A Transparência Internacional também mencionou uma decisão tomada por Toffoli em dezembro de 2023. Na ocasião, o ministro suspendeu o pagamento de uma multa superior a R$ 10 bilhões aplicada à J&F.
“Antes, Toffoli havia suspendido a multa de mais de R$ 10 bilhões à J&F”, destacou a organização ao comentar o caso.
Impacto financeiro atinge estatais e fundos públicos
A suspensão da multa teve reflexos significativos nas contas públicas e de instituições estatais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deixou de receber R$ 1,75 bilhão — valor equivalente ao que também seria destinado à Caixa Econômica Federal e a fundos de pensão de trabalhadores ligados à instituição e à Petrobras.
Além disso, a União deixou de arrecadar R$ 1 bilhão, enquanto o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não recebeu R$ 500 milhões previstos.
Cobrança amplia pressão sobre o Ministério Público
Diante desse cenário, a Transparência Internacional reforça a necessidade de atuação por parte da PGR, apontando que a ausência de medidas pode agravar questionamentos sobre o acompanhamento de casos de grande impacto econômico e institucional.