Depoimentos de Edson Claro Medeiros Jr. somam mais de 70 horas e incluem relatos sobre pagamentos atribuídos ao ‘Careca do INSS’
A tentativa da base governista de impedir a convocação de Edson Claro Medeiros Jr. na CPMI do roubo a aposentados, em 2 de outubro, ganhou nova dimensão após vir à tona que o depoente já prestou longos relatos à Polícia Federal sobre o esquema investigado. Ex-braço direito do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, Edson era tratado como “testemunha-bomba” e acabou barrado pelo PT no colegiado.
Segundo informações reveladas por parlamentares da oposição, ele afirmou à PF que Careca teria feito pagamentos a políticos e pessoas influentes. Entre os nomes citados estaria Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que — segundo a versão apresentada por Edson — teria recebido R$ 25 milhões, além de R$ 300 mil mensais. Não há confirmação das autoridades de que esses repasses tenham sido comprovados.
Vetos do governo geraram tensão na CPMI
Para a oposição, o episódio explica o esforço do Planalto para impedir o depoimento. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) resumiu o sentimento do grupo dizendo que “chegamos ao cara”, em referência ao potencial de Edson como fonte de informações sobre o esquema.
Ele foi uma das 60 testemunhas vetadas pelo governo na CPMI. Parlamentares afirmam que o Executivo analisou previamente o “grau de risco” político de cada nome antes de orientar os bloqueios.
Depoimentos à PF ultrapassam 70 horas
O senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou que Edson Claro não chegou a falar à CPMI, mas já havia prestado mais de 70 horas de depoimentos à Polícia Federal, detalhando supostas movimentações financeiras e a estrutura das operações atribuídas ao grupo de Careca.
A situação também rendeu constrangimento dentro da própria base governista. Um dos pedidos de convocação partiu do deputado Rogério Correia (PT-MG), que, após perceber a importância estratégica do veto, foi obrigado a retirar o requerimento.