Ex-presidente elaborou plano com mais de cem páginas ao lado de especialistas e encaminhou o material a todos os pré-candidatos ao Palácio do Planalto
Um documento com mais de cem páginas e propostas para diferentes áreas do país foi divulgado nesta sexta-feira, 19, pelo ex-presidente Michel Temer. Batizado de “Estrada para o Futuro”, o plano foi construído em colaboração com especialistas e tem como objetivo servir de referência programática para os pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
A equipe de Temer já encaminhou o material a todos os nomes que disputam o Palácio do Planalto. Na visão do ex-presidente, a corrida eleitoral deve girar em torno de programas de governo concretos, e não de embates de ordem pessoal.
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Pacto Republicano nos primeiros dias de governo
A proposta de maior destaque no relatório envolve a convocação de um “Pacto Republicano”. Segundo o documento, o futuro presidente deveria reunir, nos dez primeiros dias de mandato, representantes dos Três Poderes, lideranças da oposição e membros da sociedade civil.
O objetivo dessa iniciativa seria duplo: promover a pacificação institucional e criar condições favoráveis ao desenvolvimento econômico do país.
Crítica à radicalização e defesa do debate democrático
Logo nas primeiras páginas, Temer aborda o clima de acirramento político que marca o cenário nacional. Ele afirma que campanhas eleitorais não podem ser pautadas por agressões verbais ou físicas. Embora reconheça a polarização como algo legítimo dentro do regime democrático, o ex-presidente sustenta que a radicalização compromete a qualidade do debate público.
“Essa é uma sugestão àqueles que desejam governar o Brasil. É uma colaboração que desejo dar como fruto de mais de trinta e dois anos de vida pública”, escreveu Temer na apresentação do documento.
Diretrizes para economia, Estado e meio ambiente
O plano traz orientações relacionadas à responsabilidade fiscal e à reorganização do Estado. Entre as propostas, destacam-se a preservação da harmonia entre os Poderes, a defesa de um teto orçamentário como instrumento de disciplina fiscal e a despolitização do debate ambiental.
Reformas graduais também figuram no texto. Uma das sugestões é a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, implementada de forma progressiva.
Segurança pública e combate ao crime organizado
Na área de segurança pública, o documento defende a recriação do Ministério da Segurança Pública, que teria a função de coordenar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Outra medida proposta é a criação de uma Agência Nacional de Combate ao Crime Organizado. Essa agência teria como focos principais o enfrentamento à lavagem de dinheiro e o combate ao financiamento de organizações criminosas.