Tribunal de Contas da União investiga emendas de André Janones para município da ex-namorada
Uma auditoria foi aberta pelo Tribunal de Contas da União para investigar o destino de recursos parlamentares enviados por André Janones (Rede) ao município de Ituiutaba, em Minas Gerais. Os valores somam R$ 4 milhões e foram direcionados à cidade governada por Leandra Guedes (Avante), que manteve relacionamento amoroso com o parlamentar entre 2014 e 2018.
Questionamentos sobre transporte público
A Corte de Contas solicitou esclarecimentos detalhados sobre a contratação de serviços de locação de ônibus destinados ao transporte público municipal. Os recursos para custear esses serviços foram repassados pelo deputado em 2023, utilizando a modalidade conhecida como “emenda Pix” ou “transferência especial”.
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O prazo estabelecido pelo TCU para que sejam apresentadas as comprovações da correta aplicação dos valores é de 12 dias. O município deve fornecer documentação abrangente que inclui estudos técnicos preliminares, pesquisa de preços, edital de contratação e propostas recebidas.
Documentação exigida pelo tribunal
Além dos documentos básicos de contratação, a prefeitura precisa apresentar pareceres jurídicos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e relatórios de fiscalização dos serviços. O tribunal também requisitou registros que demonstrem a efetiva prestação dos serviços contratados.
Os extratos bancários da conta específica utilizada para movimentar os recursos federais também fazem parte das exigências, assim como justificativas para eventuais transferências realizadas.
Deputado alega existência de “quadrilha”
Em resposta à abertura da investigação, André Janones declarou que o município “foi tomado por uma quadrilha”. O parlamentar afirmou: “Infelizmente a cidade de Ituiutaba foi tomada por uma quadrilha que tomou de assalto a prefeitura e vem desviando, sistematicamente, as receitas do município para o enriquecimento dos criminosos que estão à frente do Executivo”.
O deputado revelou ter iniciado investigações próprias há três anos, após suspeitar de desvios nos recursos de suas emendas parlamentares. Segundo ele, foi obrigado a interromper as apurações devido a “falsas denúncias” feitas pelo grupo político que comanda a cidade.
Encaminhamento para outros órgãos
Janones informou ter encaminhado material investigativo para a Polícia Federal e o próprio TCU, incluindo áudios que, segundo ele, comprovam o recebimento de propina por parte do grupo que considera criminoso. O parlamentar declarou: “Não tenho dúvidas de que a prisão dos responsáveis será questão de tempo e, assim que isso ocorrer, voltarei a destinar recursos para o município, como sempre fiz”.
Acusações de chantagem contra o deputado
O relacionamento passado entre os protagonistas desta investigação ganhou contornos jurídicos em 2025. Leandra Guedes acionou a Justiça contra André Janones, alegando que ele fez ameaças utilizando fotos íntimas registradas durante o período em que mantiveram relacionamento.
A prefeita também acusou o deputado de tentar exercer influência política sobre sua gestão, solicitando demissões de servidores municipais. Diante das denúncias, Janones se defendeu declarando: “Eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum crime”.
Mecanismo de transferência especial
A execução dos recursos ocorreu através da modalidade “transferência especial”, popularmente conhecida como “emenda Pix”. Este mecanismo permite o envio direto de recursos federais para estados e municípios, com menor vinculação aos convênios tradicionais, oferecendo maior agilidade no repasse.