Governador questiona legitimidade das pré-candidatas ao Senado por São Paulo e aponta rejeição em seus estados de origem
Rejeitadas pelos eleitores de seus próprios estados, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) agora tentam conquistar uma vaga no Senado por São Paulo — e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não poupou críticas a essa estratégia. Em vídeo gravado durante encontro fechado com pré-candidatos do Republicanos e publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 8, o pré-candidato à reeleição foi direto ao questionar a relação das duas com o eleitorado paulista.
O recado de Tarcísio às adversárias
“Com todo o respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram esse Estado para servir”, disparou o governador. E completou com uma sentença dura: “Foram servir o Mato Grosso do Sul e o Acre, e levaram o cartão vermelho do Mato Grosso do Sul e do Acre. Se fossem concorrer por lá, não seriam eleitas. E, pode ter certeza, não serão aqui também.”
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A fala de Tarcísio expõe um ponto sensível na trajetória política das duas ex-ministras de Lula. Tebet foi senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022 e, em 2026, oficializou a transferência de seu domicílio eleitoral para a capital paulista, preparando-se para disputar pela primeira vez um cargo eletivo em São Paulo. Já Marina Silva, natural do Acre, exerce mandato de deputada federal por São Paulo desde 2022. Nenhuma das duas construiu sua base política no estado que agora pretendem representar no Senado — uma fragilidade que o governador faz questão de explorar.
Quem divulgou o vídeo
A gravação foi publicada pelo ex-secretário estadual da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), um dos pré-candidatos ao Senado apoiados por Tarcísio. Na postagem, Derrite agradeceu o apoio do governador e reforçou a mensagem: “São Paulo não é trampolim.”
A contradição que pesa sobre Tarcísio
Apesar do tom incisivo contra as adversárias, há uma ironia evidente: o próprio Tarcísio de Freitas não é paulista. Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1975, ele transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo apenas em 2022, ano em que foi eleito governador a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, a crítica do governador se sustenta em um argumento específico: a de que Marina e Tebet teriam sido rejeitadas por seus eleitores originais antes de buscar refúgio político em São Paulo.
Pesquisa mostra que as ex-ministras lideram
A critica de Tarcísio ocorre em um momento delicado para seus aliados. Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira, 6, revelou que Marina e Tebet lideram a corrida ao Senado, com 18% e 16% das intenções de voto, respectivamente. Os candidatos do campo governista aparecem atrás: André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), registra 11%, enquanto Derrite marca 10%. A diferença evidencia o desafio que o governador tem pela frente para emplacar seus nomes na disputa.
Haddad também na mira
No mesmo encontro, Tarcísio direcionou críticas ao seu principal adversário na corrida ao governo estadual, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Utilizando o apelido jocoso adotado por bolsonaristas para associar o petista ao aumento de impostos, o governador não economizou nas provocações.
“Nosso projeto não é aumentar imposto, não é aumentar tarifa, igual os outros fazem por aí, não. Que gastam demais e depois aumentam a taxa. Não é assim que essa turma fez aí? Não é assim que o ‘Taxad’ fez?”, disse Tarcísio.