Relatório da Polícia Federal aponta que empresário bloqueou aparelho durante sessão da CPMI
Investigado por suspeita de desviar até R$ 1,4 bilhão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Igor Dias Delecrode teria reiniciado o próprio iPhone no momento em que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aprovava a apreensão do aparelho. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.
De acordo com a publicação, um relatório da Polícia Federal (PF) indica que o celular foi desligado e religado ainda durante a sessão realizada em 10 de novembro de 2025. Após o procedimento, o dispositivo passou a operar em modo de proteção máxima, exigindo senha para liberar o acesso aos dados armazenados.
Procedimento impediu extração de dados
Imagens analisadas por peritos mostram que, logo após a deliberação da CPMI, Delecrode pressionou os botões laterais do iPhone e deslizou o dedo na tela — procedimento comum para desligar modelos mais recentes do aparelho. O sistema registrou a reinicialização imediatamente após a ação.
Com isso, o telefone entrou no estado conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”, situação em que as chaves de criptografia deixam de permanecer disponíveis na memória do dispositivo.
Segundo o laudo citado pelo portal, “não foi possível extrair os dados da memória interna desse dispositivo, sendo, portanto, necessário o fornecimento da senha de desbloqueio”.
Orientado pelo advogado Levy Magno, o empresário se recusou a informar a senha. A defesa argumentou que a apreensão dependeria de autorização judicial. Posteriormente, o pedido de devolução do aparelho foi negado.
Encaminhamento do celular à perícia
A apreensão do iPhone foi aprovada por votação simbólica, a partir de requerimento do relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). O aparelho foi entregue ao presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos), que o encaminhou à Polícia Legislativa.
Conforme relatado pelo Metrópoles, a Polícia do Senado apontou haver “plena coerência” entre o vídeo da sessão, os registros internos do celular e o bloqueio constatado pela perícia da PF. Para os técnicos, a sequência indica que o próprio usuário executou o procedimento para proteger as informações armazenadas.
Tentativas de recuperação e novas diligências
Diante da impossibilidade de acessar o conteúdo diretamente no aparelho, os investigadores recomendaram outras medidas. Entre elas estão a tentativa de recuperação de dados em nuvem, a quebra de sigilo junto à operadora Claro e a análise de um número internacional identificado durante a perícia.
Delecrode é investigado sob suspeita de ter desenvolvido um sistema capaz de fraudar biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados, o que teria viabilizado o desvio bilionário de recursos do INSS.
Segundo o Metrópoles, a PF apura possível atuação conjunta com entidades e associações envolvidas no esquema.
Em fevereiro deste ano, os parlamentares Alfredo Gaspar e Carlos Viana chegaram a solicitar à Justiça a prisão preventiva do empresário. Até o momento, ele permanece em liberdade.