Infecção parasitária já soma milhares de casos e hortaliças são a principal suspeita de contaminação
Michigan concentra os números mais alarmantes do surto de ciclosporíase que avança pelos EUA. Até segunda-feira (13), os órgãos estaduais contabilizaram 2.640 infecções e 44 hospitalizações — um salto de 69% em relação aos dados da sexta-feira anterior. O estado tornou-se o epicentro de uma crise sanitária que já se espalha por 34 das 50 unidades federativas do país.
Hortaliças sob suspeita: qual pode ser a origem do surto
Em episódios anteriores, produtos como framboesas, manjericão, coentro e ervilhas apareciam com frequência entre os alimentos associados à contaminação. Desta vez, porém, as investigações apontam em outra direção. Membros do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan publicaram, na segunda-feira (13), um documento que detalha as conclusões parciais da apuração.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
“Embora a investigação ainda esteja em andamento, os resultados atuais apontam a alface ou outras folhas usadas em saladas como uma possível fonte deste surto, embora outros alimentos não possam ser completamente descartados. Nenhum tipo específico de hortaliça, produtor ou fornecedor foi identificado como a origem do surto”, escrevem os responsáveis pelo documento.
Números nacionais e a dificuldade de rastreamento
De acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), até a terça-feira (14) foram registrados 1.645 casos confirmados em todo o território nacional. Outros 5.100 permanecem sob investigação. Das pessoas afetadas, 141 precisaram de hospitalização. Nenhuma morte foi registrada até o momento.
Contudo, a contagem oficial tende a ficar aquém da realidade. Cada estado precisa notificar seus casos à agência federal, e a confirmação laboratorial das infecções exige tempo adicional. Esse processo gera atraso significativo entre os números estaduais e os consolidados pelo CDC.
Estimativas indicam que até 7 mil pessoas podem já ter sido infectadas no país. A transmissão ocorre por meio de água ou alimentos contaminados com fezes contendo o protozoário Cyclospora cayetanensis.
Sintomas e riscos da ciclosporíase
O quadro clínico da ciclosporíase inclui perda de apetite, náuseas, fadiga, inchaço e vômito. Mas o sintoma que mais chama atenção são as crises frequentes de diarreia líquida, com evacuações intensas — descritas como “explosivas” — que podem persistir por até um mês quando não tratadas. O tratamento é realizado com antibióticos.
Embora a doença raramente seja fatal, pessoas com o sistema imunológico comprometido enfrentam riscos mais elevados.
Uma doença sazonal em escala incomum
Nos EUA, a ciclosporíase é considerada sazonal. Os parasitas costumam circular com mais intensidade entre maio e agosto, durante o verão no hemisfério norte. Desde 2016, o CDC registrava uma média de cerca de 2.800 casos por ano.
O cenário de 2026, porém, fugiu ao padrão. Os casos começaram a crescer de forma expressiva já na metade de maio, muito antes do pico habitual, e em proporções que superaram rapidamente a média histórica.
Recomendações para se proteger
Diante da situação, as autoridades de saúde de Michigan emitiram orientações para tornar o consumo de hortaliças mais seguro:
- Comprar o pé inteiro de alface, evitando versões pré-lavadas ou embaladas.
- Descartar as duas ou três camadas de folhas mais externas antes do preparo.
- Lavar as folhas internas — embora essa medida, sozinha, não elimine totalmente o risco, já que a lavagem não remove todas as partículas infecciosas do protozoário. Mesmo a exposição limitada ao agente pode ser suficiente para causar infecção.
- Cozinhar as hortaliças a uma temperatura de pelo menos 70 °C, considerada a medida mais eficaz de prevenção.
As autoridades de saúde do país seguem investigando a origem exata do surto, e a população é orientada a redobrar os cuidados com a higiene alimentar.
