STF tem 5 votos para liberar presença de crianças em parada gay; julgamento é suspenso

STF tem 5 votos para derrubar lei do Amazonas que proíbe menores em parada gay; julgamento foi suspenso após pedido de vista.
Ministro Kassio Nunes Marques, Do STF Foto, SCO,STF,Fellipe Sampaio Ministro Kassio Nunes Marques, Do STF Foto, SCO,STF,Fellipe Sampaio
Ministro Kassio Nunes Marques, Do STF Foto, SCO,STF,Fellipe Sampaio

Corte analisa lei do Amazonas que proíbe menores em eventos com manifestações eróticas; decisão pode impactar outros Estados

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, na sexta-feira (8), o julgamento sobre a lei do Amazonas, aprovada em 2023, que proíbe a presença de em paradas gays. A interrupção ocorreu após pedido de vista do ministro Nunes Marques.

O placar parcial já soma cinco votos pela inconstitucionalidade da norma, todos alinhados ao relator Gilmar Mendes: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Caso mais um ministro vote nesse sentido, a lei será derrubada, abrindo precedente para anular legislações semelhantes em outros Estados.


O que diz a lei do Amazonas

A norma obriga pais, responsáveis e organizadores a impedir a participação de menores nesses eventos, sob pena de multa de até R$ 10 mil por hora de exposição considerada imprópria. A participação de crianças só é permitida com autorização judicial prévia.

Segundo a Assembleia Legislativa do Amazonas, o objetivo é proteger menores de “exposição precoce à sexualidade, nudez e músicas e vídeos inapropriados”, conforme prevê a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Argumentos no STF

O relator Gilmar Mendes classificou a lei como instrumento que reforça estigmas e exclusão social:

“Proibir a ida de crianças e adolescentes à Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ significa, em uma medida substancial, vedar o próprio pluralismo que orienta nosso texto constitucional, pois impede o contato e o convívio com o diferente.”

A ação foi apresentada por Aliança Nacional LGBTI+, Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas e Partido Democrático Trabalhista (PDT), que alegam discriminação contra jovens que não seguem padrões tradicionais. Para o PDT, eventuais atos eróticos são isolados e não devem justificar proibição geral.

A Advocacia-Geral da União (AGU), vinculada ao governo Lula, defendeu a derrubada da lei, argumentando que apenas o governo federal pode legislar sobre o tema.


PGR defende validade da lei

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi na direção oposta e defendeu a validade da norma. Para ele, a sensualidade e o erotismo são elementos esperados nas paradas, o que tornaria inadequada a participação de crianças.

Gonet citou diretrizes do Ministério da Justiça, que desaconselham conteúdos sexuais para menores de 18 anos e proíbem danças eróticas para menores de 14 anos:

“A participação ativa de menores nessas reuniões torna crianças e adolescentes partes integrantes da manifestação, cercadas por adultos que reivindicam e expressam mensagens sobre orientação sexual, num quadro em que o exercício da plena do sujeito ainda depende de mais amadurecido desenvolvimento psicossocial.”


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