Justiça

STF nega pedido de Débora do Batom, apesar da derrubada do veto ao PL da Dosimetria

Alexandre de Moraes rejeitou pedido da defesa de Débora do Batom para reduzir pena, afirmando que o PL da dosimetria ainda não foi promulgado

Moraes rejeita pedido para reduzir pena de Débora do Batom

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que ficou conhecida como “Débora do Batom” após pichar a estátua “A Justiça” durante os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, teve negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido para revisão de sua condenação. A solicitação foi protocolada pela defesa na sexta-feira, 1º, logo após o Nacional ter derrubado o ao chamado .

Argumento da defesa e resposta de Moraes

Os advogados da condenada sustentaram que a nova regra seria mais favorável a ela. A tese apresentada era de que a mudança legislativa alterava o tratamento penal dos crimes atribuídos e poderia justificar a revisão da pena.

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Moraes, contudo, foi categórico ao afirmar que a norma sequer entrou em vigor. Em sua decisão, o ministro escreveu:

“O CONGRESSO NACIONAL, em sessão realizada em 30/4/2026, derrubou o veto da Presidência da República (VET 3/2026), ressalvados dispositivos prejudicados, ao chamado PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), não tendo ocorrido, até o momento, nem a promulgação, tampouco a publicação do diploma normativo, que, portanto, não está em vigor”.

O caso de Débora Rodrigues dos Santos

Condenada a 14 anos de prisão, Débora cumpre atualmente a pena em regime domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica. Sua condenação derivou da pichação realizada na estátua que fica em frente ao STF, durante a invasão aos prédios dos Três Poderes.

O episódio transformou-se em símbolo para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passaram a defender a revisão das penas impostas aos envolvidos nos atos antidemocráticos.

Depoimento em março de 2025

Em depoimento prestado em março de 2025, Débora declarou que não chegou a invadir prédios públicos e alegou ter sido influenciada pela atmosfera do momento. Segundo seu relato:

“Quando me deparei lá em Brasília com o movimento, eu não fazia ideia do bem [valor] financeiro e simbólico da estátua. Quando eu estava lá já tinha uma pessoa fazendo a pichação. Faltou talvez um pouco de malícia da minha parte, porque ele começou a escrita e falou assim: ‘Eu tenho a letra muito feia, moça, você pode me ajudar a escrever?’. E aí eu continuei fazendo a escrita da frase dita pelo ministro [Luís Roberto] Barroso”.

Lula sinaliza que não vai promulgar o projeto

Paralelamente à decisão de Moraes, o presidente Lula sinalizou a aliados que não pretende promulgar o Projeto de Lei da dosimetria. A proposta reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pelo rito constitucional, Lula teria 48 horas para confirmar a decisão tomada pelo Congresso Nacional. No Palácio do Planalto, a expectativa é de que o petista se omita dentro desse prazo, levando à chamada promulgação tácita — que ocorre quando um dos Poderes da República não se manifesta formalmente.

O que prevê o PL da dosimetria

Na quinta-feira, 30, o rejeitou o veto de Lula ao PL da dosimetria. O texto legislativo impede a soma de dois crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de Estado. Na prática, deve ser aplicada a pena do crime mais grave, com acréscimo de um sexto até a metade.

Outro ponto relevante da proposta é a previsão de redução de pena de um a dois terços quando os crimes forem cometidos em contexto de multidão, desde que o réu não tenha participado do financiamento dos atos nem exercido papel de liderança.


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