Militar teria estuprado a jovem de 21 anos repetidas vezes e a traficado para a Rússia, onde a trancou em seu apartamento
Uma jovem ucraniana de 21 anos conseguiu escapar em 2023 após permanecer em cativeiro por mais de um ano nas mãos de um soldado russo. Vyacheslav Dubenko é apontado como responsável por sequestrar a vítima, estuprá-la inúmeras vezes e mantê-la presa em seu apartamento na Rússia, em regime de escravidão sexual.
Ocupação da aldeia e início das ameaças
Tudo teve início em março de 2022, quando tropas russas ocuparam a região de Kharkiv e se instalaram no prédio vizinho à residência da jovem. Ela vivia com a mãe, que é deficiente, e dois irmãos pequenos.
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Num primeiro momento, Vyacheslav tentou se aproximar da vítima de forma sedutora. Diante da recusa, o militar voltou acompanhado de outros dois combatentes e proferiu a ameaça direta:
“Você quer que a sua família morra?”
A ucraniana foi então arrancada de casa à força. A mãe da jovem procurou o comandante russo em busca de ajuda, mas teve sua denúncia menosprezada. O oficial teria descartado a gravidade da situação, classificando o ocorrido como “coisa de jovens”.
Tráfico para a Rússia e abusos continuados
Meses se passaram até que Vyacheslav, durante um período de licença dos combates, organizou com os dois comparsas o tráfico da vítima para a cidade de Belgorod, em território russo. No apartamento do militar, a jovem era mantida trancada e continuava sendo estuprada. Além disso, Dubenko a “negociava” com outros interessados.
A investigadora sênior de crimes de guerra da polícia de Kharkiv, Anna Ponomarenko, descreveu as condições do cativeiro em depoimento publicado pelo “Sun”:
“A varanda tinha grades de metal. Tudo estava lacrado. As portas estavam trancadas com chaves e cadeados. Ele tirou o celular dela. Deixou comida para ela, só isso. Era escravidão sexual.”

Fuga e denúncia
Após ser levada de volta a Kharkiv, a ucraniana conseguiu fugir em 2023 e finalmente denunciar o seu algoz às autoridades.
Contexto na região de Kharkiv e abusos generalizados
Hoje, a maior parte da região de Kharkiv, incluindo sua capital administrativa, encontra-se sob controle das forças ucranianas. A Rússia, porém, ainda mantém o domínio sobre pequenas áreas e localidades situadas na fronteira leste e nordeste.
O caso de Vyacheslav Dubenko está longe de ser isolado. Centenas de jovens ucranianas têm sofrido abusos sexuais frequentes cometidos por combatentes inimigos nas regiões de Kherson, Kharkiv e Zaporizhzhia, segundo investigadores.