Secretário responsável por incluir BYD na ‘lista suja’ é demitido pelo governo federal
A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Anafitra) reagiu com dureza à exoneração do chefe da fiscalização trabalhista no país. Para a entidade, a saída de Luiz Felipe Brandão de Mello configura uma “interferência política” grave na autonomia dos órgãos responsáveis por combater o trabalho análogo à escravidão.
O que motivou a demissão
A portaria formalizando a dispensa do secretário de Inspeção do Trabalho foi publicada nesta segunda-feira, 13, no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com apuração do jornal Folha de S.Paulo, o desligamento tem relação direta com a decisão de inscrever a montadora chinesa BYD no cadastro de empregadores flagrados com mão de obra em condições degradantes — a chamada “lista suja” do trabalho escravo —, o que ocorreu no início de abril.
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Mello ocupava o cargo que concentra a competência de fiscalizar e cadastrar empresas nessa relação. Sua demissão acontece em pleno conflito interno entre os auditores-fiscais e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
O caso BYD em Camaçari
A inclusão da BYD no cadastro teve origem em uma operação que teria resgatado 163 trabalhadores chineses submetidos a condições precárias nas obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia. A permanência da montadora na lista, porém, durou poucos dias. Em 9 de abril — apenas três dias após a inscrição —, uma decisão judicial determinou a retirada do nome da companhia.
Acusações contra o ministro Luiz Marinho
A categoria dos auditores-fiscais atribui ao ministro de Lula a fragilização do enfrentamento ao trabalho escravo. Segundo os profissionais, o objetivo seria blindar interesses de grandes companhias. O Ministério do Trabalho foi procurado para se pronunciar sobre a troca no comando da secretaria, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.