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Romeu Zema compara STF a “papa pedófilo”

Zema critica STF com fala polêmica, amplia estratégia eleitoral e recebe resposta dura de Gilmar Mendes.

Declaração do governador de Minas gera reação de Gilmar Mendes e se insere em estratégia eleitoral

Durante um evento do setor do agronegócio em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (18), o governador de Minas Gerais, (Novo), voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) com uma declaração contundente que repercutiu no meio político.

Ao comentar a atuação da Corte, o governador fez uma comparação polêmica:

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“o que nós estamos assistindo no Brasil, eu não me lembro de ter assistido à mais alta corte, que deveria ser referência. Olha o que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres?”.

Estratégia política mira crescimento eleitoral

A fala de Romeu Zema não ocorre de forma isolada. Nas últimas semanas, o governador e o partido Novo têm adotado um tom mais crítico em relação ao STF.

A movimentação acontece em um cenário em que o político ainda apresenta números modestos nas pesquisas de intenção de voto. Diante disso, a aposta tem sido intensificar o confronto com o Judiciário como forma de ampliar sua base eleitoral.

Disputa por espaço na direita

Aliados avaliam que existe uma janela política para esse posicionamento. Isso porque apoiadores de Flávio (PL) teriam reduzido o tom das críticas ao Judiciário, buscando conquistar eleitores de perfil mais moderado.

Com isso, abre-se espaço para que Romeu Zema ocupe uma faixa mais combativa dentro do espectro político. O ambiente também é influenciado pelo caso Master, que envolve controvérsias relacionadas ao tribunal e tem alimentado o debate público.

Gilmar Mendes reage e critica governador

As declarações de Zema provocaram reação do ministro do STF Gilmar Mendes, que já havia criticado o governador anteriormente neste mês.

Em sessão da Corte, o decano respondeu de forma direta:

“É chocante ver um governador como o de Minas Gerais, que levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a liminares dadas por este tribunal, atacar o tribunal. Eu fico pensando ‘Pai, eles não sabem o que fazem’”.

Decisões do STF ajudaram Minas

A crítica de Gilmar Mendes faz referência a decisões do próprio STF que beneficiaram Minas Gerais nos últimos anos.

Ainda no fim da gestão de Fernando Pimentel (PT), antecessor de Zema, o Supremo suspendeu a obrigação de pagamento das dívidas do estado com a União. Essa liminar foi mantida ao longo do atual governo.

Posteriormente, a adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal também contou com respaldo de decisões do tribunal.

Dívida de Minas cresceu nos últimos anos

Mesmo com as medidas, o estado encerrou 2025 com uma dívida de R$ 177 bilhões com a União — valor que representa crescimento de 40%, já corrigido pela inflação, em comparação a 2018, último ano antes da posse de Romeu Zema.

O governo mineiro afirma que não houve contratação de novas dívidas no período. Segundo a gestão, o aumento do passivo decorre principalmente de juros e encargos previstos em contrato.

Além disso, a administração estadual sustenta que indicadores de capacidade de pagamento apresentaram melhora ao longo do mandato.


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