Disputas familiares e perda de garantias imobiliárias agravaram a crise da tradicional varejista paulista
Uma das maiores redes de móveis e eletrodomésticos do Estado de São Paulo, as Lojas Marabraz recorreram à Justiça para buscar proteção contra seus credores. O pedido de recuperação judicial foi protocolado no sábado, 15 de agosto de 2026, junto à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo.
O escritório Campana Pacca é o responsável pela petição, apresentada em caráter de urgência. O montante das dívidas soma cerca de R$ 140 milhões.
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Origem da crise vai além dos juros altos
Fundada por uma família libanesa que começou suas atividades em 1950, a Marabraz enfrentou nos últimos anos uma combinação de fatores que corroeu sua saúde financeira. A alta persistente dos juros é apontada como um dos elementos centrais do problema, mas não é o único.
Segundo a petição judicial, disputas societárias e familiares desempenharam papel decisivo na deterioração do negócio. Historicamente, a família recorria ao mercado financeiro para financiar a expansão e manter o capital de giro necessário à operação, oferecendo ativos — principalmente imobiliários — como garantia dessas operações.
Perda de controle sobre patrimônio imobiliário
O documento revela que, em meio aos conflitos internos, os administradores encarregados de conduzir a atividade empresarial perderam o controle sobre as sociedades titulares do patrimônio imobiliário do grupo. Com isso, a Marabraz ficou sem as garantias que sustentavam seu acesso ao crédito.
As consequências foram imediatas: comprometimento na renovação de linhas de financiamento existentes, dificuldade para contratar novas operações e deterioração das condições de crédito junto ao mercado.
De 135 lojas à retração do varejo
No auge de sua atuação, a rede Marabraz chegou a operar 135 lojas espalhadas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e outras cidades do interior paulista.
A crise, porém, não é exclusividade da empresa. O setor de varejo de móveis e eletrodomésticos como um todo foi atingido por uma série de adversidades simultâneas:
- Retração do consumo e aumento da inadimplência entre os consumidores;
- Transformações profundas provocadas pela digitalização do comércio, que alterou padrões de compra e intensificou a concorrência.
Esses fatores, somados às questões internas da companhia, levaram a Marabraz a buscar na recuperação judicial uma alternativa para reestruturar suas operações e honrar suas obrigações financeiras de R$ 140 milhões.