Mudança de discurso do partido expõe contradições sobre atuação do ministro do STF
A proposta do vereador Toninho Vespoli (PSOL) para conceder a medalha Anchieta ao ministro do STF Alexandre de Moraes reacendeu um debate sobre a contradição do partido em relação ao magistrado.
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Durante anos, lideranças e parlamentares do PSOL foram alguns dos críticos mais duros de Moraes, chegando a chamá-lo de “fascista” em diversas ocasiões, principalmente no período em que ele foi ministro da Justiça de Michel Temer e também quando foi indicado ao Supremo. À época, o partido acusava o magistrado de violar direitos civis e de representar interesses conservadores.
Do ataque à homenagem
Agora, no entanto, o discurso mudou. O mesmo ministro antes apontado como “perigoso” pela esquerda passou a ser descrito pelo PSOL como “garantidor da Constituição” e “defensor das instituições democráticas”.
Essa guinada no tom se deve ao papel de Moraes nas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, onde o magistrado assumiu protagonismo no combate ao que a Corte classifica como tentativas de golpe.
Críticas à incoerência
Para adversários, a iniciativa de homenagear Moraes com a medalha Anchieta revela uma hipocrisia política: quando as decisões do ministro atingiam a esquerda, ele era atacado; quando passaram a atingir a direita, virou símbolo de resistência democrática.
Mesmo dentro da esquerda, há quem reconheça que o gesto soa como uma revisão oportunista da postura histórica do partido.
O projeto de Vespoli
Apesar das críticas, Vespoli justificou o projeto como um reconhecimento à trajetória acadêmica e jurídica de Moraes e ao seu papel atual no STF, especialmente após os atos de 8 de janeiro. A proposta ainda precisa ser votada na Câmara e depende de apoio de dois terços dos vereadores.
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