Proposta de delação do ex-banqueiro prometia revelar elos com Jaques Wagner e Rui Costa; caso também afeta definição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro
A gênese do império financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não tem origem em Brasília. De acordo com a proposta de delação frustrada do ex-banqueiro, o caminho que o levou à glória, à fortuna e à desgraça passa pelos governos do PT na Bahia, sob o comando de Jaques Wagner — hoje líder do governo no Senado — e de Rui Costa, ex-ministro de Lula.
CredCesta e o decreto que blindou o Master
O ponto de partida do crescimento vertiginoso do banco foi a entrega do CredCesta a Vorcaro pelo PT. O programa abriu as portas para que o Master mergulhasse no lucrativo mercado de empréstimos consignados.
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No auge dessa influência, um decreto assinado por Rui Costa em 2022 proibiu o uso da portabilidade — impedindo que clientes se livrassem das taxas abusivas cobradas pelo Master. Fontes ligadas ao caso afirmam que, na proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal, Vorcaro detalhava como esse decreto fortaleceu o banco e impulsionou seu crescimento.
Tanto Jaques Wagner quanto Rui Costa negam as suspeitas e tentam minimizar os vínculos com o ex-banqueiro. Porém, a rejeição do acordo de delação pela PF sugere que a investigação já reuniu elementos suficientes sobre o caso.
Crise do Master embaralha escolha de vice para chapa de Flávio Bolsonaro
O avanço das investigações sobre o Banco Master está causando efeitos colaterais na corrida presidencial. A definição do vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), que estava prevista para este mês, atrasou.
Nas tratativas iniciais, a indicação caberia ao Progressistas. No entanto, o plano desmoronou com a Polícia Federal na cola do presidente do partido, Ciro Nogueira. Pessoas envolvidas na campanha de Flávio relatam temor de que a PF também avance sobre o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
Diante do cenário turbulento, o PP já fala em seguir “neutralidade” nas eleições. No PL, chapa com o partido ainda não foi descartada. Nomes do União Brasil também são cogitados. Como no PP, a ordem é pente fino para que não seja alguém tão próximo aos presidentes.
Além de atrair votos, a campanha de Flávio está preocupada em não arrastar a crise do Master, e batidas da PF, para o debate eleitoral.
Poder sem Pudor
Só por telefone
Benedito Valadares estava no final do último mandato de senador, nos anos 70, e evitava jornalistas. Certo dia, acabou encurralado em um corredor do Senado. Atônito, pegou o telefone mais próximo e fingiu que falava com alguém. Conversa demorada. Os jornalistas se impacientaram e ele reagiu: “Não têm respeito? Não veem que estou falando com o Carvalho Pinto?”, disse. “Mas o Carvalho Pinto está ali do lado!” apontou um jornalista. Valadares deu uma olhada, viu o colega, mas insistiu na desculpa: “É que eu só falo com ele por telefone…”
Notas políticas do dia
O governo Lula ainda não recebeu qualquer sinalização da Casa Branca sobre uma possível reunião bilateral entre o petista e Donald Trump durante encontro do G7, em Paris (França).
Até a tarde de sexta (12), Keiko Fujimori abriu a maior vantagem dos últimos dias sobre Roberto Palomino, na eleição presidencial do Peru: pouco mais de 1,5 mil num universo de mais de 18 milhões de votos.
Clientes do Nubank tiveram um baita susto nessa sexta (12). O banco mandou email informando sobre liquidação da instituição. O remetente era o oficial, mas o conteúdo foi enviado indevidamente, foi engano.
A Executiva Nacional do MDB criou comissão mista com membros do partido no DF para definir, em conjunto, as alianças partidárias este ano. Sinalizou que deve apoiar candidatura de Celina Leão (PP) ao governo.
Frase do dia
“Em ano eleitoral, a gente vê de tudo” — Deputada Carol de Toni (PL-SC) após Lula dizer que quer comer tainha em Itajaí.
Desde o início de junho, Camilo Santana (Educação) passou de 1% de chance de virar presidente, na plataforma de previsões e apostas Polymarket, para mais de 3%. Está à frente até de Fernando Haddad.
A vereadora Amanda Vettorazzo (União-SP) condenou oba-oba de hospedagem em embaixadas por artistas ricaços que apoiam Lula, “Artista que faz o L ganha passe livre para viajar com a Janja”.
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB) abriu a porteira para o projeto de Lula (PT) que acaba com a escala 6×1. A intenção é que o texto avance no mesmo ritmo da PEC que será analisada na terça (16).
A tentativa de tirar “Dark Horse” de cartaz terminou frustrada para o PT. O presidente do TSE, Nunes Marques, rejeitou ação do partido que queria impedir o lançamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
…sobraram apenas algumas semanas de trabalho no Congresso… este ano.