Justiça

Presidente do STJ usou dezenas de carros oficiais para passeio no Rio em evento sobre ética judicial

Cerca de 50 veículos oficiais foram usados para turismo de convidados estrangeiros do STJ no Rio durante congresso sobre ética judicial

Convidados estrangeiros do tribunal passearam por pontos turísticos cariocas com frota cedida por três tribunais; corte ainda não sabe quanto o evento custou

Cerca de 50 veículos oficiais foram empregados no sábado (30/5) para conduzir delegações internacionais a atrações como o Maracanã e o Cristo Redentor. A frota pertencia ao próprio STJ, ao Tribunal de Justiça do (TJ-RJ) e ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). No dia seguinte, o Brasil enfrentou o Panamá no estádio.

Evento promovido pelo presidente do STJ

O chamado “Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial” é uma iniciativa do ministro , atual presidente do Superior Tribunal de Justiça. O encontro reuniu representantes de 23 tribunais estrangeiros — entre eles, cortes constitucionais — para debater temas como inteligência artificial, redes sociais, defesa do Estado de Direito e conduta ética no Judiciário.

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Entre no grupo

Parte do meio jurídico enxerga o congresso como uma resposta ao XIV Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza” — referência ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Diferentemente do evento do STJ, o Fórum de Lisboa não utiliza em seu financiamento.

Pretexto para roteiro turístico, aponta apuração

Embora a maior parte da programação oficial estivesse concentrada em Brasília (DF), o congresso incluiu um painel no Rio de Janeiro voltado à discussão sobre a atualização dos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial — diretrizes para a atuação de magistrados propagadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A coluna apurou, porém, que o painel serviu como pretexto para o roteiro turístico na capital fluminense.

A programação oficial do congresso, publicada no site do STJ, sequer menciona a atividade realizada no Rio de Janeiro.

STJ não informou custo do evento nem comentou uso da frota

Questionado, o tribunal declarou, em nota, que os custos do evento ainda serão calculados e “disponibilizados oportunamente no prazo de duas semanas”. Em outras palavras, o STJ promoveu um congresso sobre ética no Judiciário sem saber quanto ele custou.

Sobre o passeio dos convidados estrangeiros, a Corte limitou-se a informar que os participantes “visitaram pontos turísticos do Rio de Janeiro, sem despesas de almoço e jantar para o STJ”. A questão do uso de não foi respondida pelo tribunal.

Passagens aéreas custeadas para três países

Segundo o STJ, apenas as passagens de convidados de três nações foram pagas com recursos públicos: África do Sul, Argentina e Peru. Todos viajaram em classe econômica, conforme o tribunal.

Cármen Lúcia cobra ética dos magistrados

Na segunda-feira (1º/6), a ministra Cármen Lúcia, do STF, participou do congresso e defendeu a observância de princípios éticos pelos juízes do país. “Eu acredito no Poder Judiciário brasileiro, nos juízes e juízas brasileiras, e sei que (existem) eventuais falhas, e elas há. Somos um grupo de pessoas humanas, com nossas falhas, nossos limites”, afirmou a ministra.

Painéis fechados à imprensa

Parte das sessões do congresso transcorreu sem acesso de jornalistas e sem transmissão ao vivo. O STJ justificou a medida dizendo que o objetivo era viabilizar a discussão livre entre os participantes.

“Logo após o Congresso, será publicado um relatório contendo os principais debates e as conclusões do evento, sem identificação das contribuições individuais”, informou a Corte, em nota.

Com informações da Coluna de Andreza Matais/Metrópoles


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