Gustavo Petro critica operação militar norte-americana e questiona uso da força para resolver disputas políticas
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu nesta terça-feira, 27, que os Estados Unidos devolvam Nicolás Maduro à Venezuela, após a captura do ex-ditador por forças norte-americanas. A declaração foi feita durante um evento em Bogotá e ocorre em meio à repercussão da operação militar realizada em 3 de janeiro.
Segundo Petro, Maduro não deveria ser julgado pela Justiça dos Estados Unidos, mas sim por um tribunal venezuelano. Para o presidente colombiano, a condução do caso representa uma violação política e simbólica contra o país vizinho.
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“Bombardear Caracas, a terra natal de [Simón] Bolívar, não é um ato contra Maduro, mas sim contra a própria Venezuela”, afirmou Petro ao criticar a ação militar.
Crítica direta à operação norte-americana
Petro condenou o uso de força militar como instrumento para solucionar disputas políticas no continente. Em sua avaliação, a ofensiva extrapola a responsabilização individual e atinge a soberania venezuelana.
“Como eles puderam sequer pensar em fazer isso?”, questionou o presidente. “Bombardear a terra natal de Bolívar. Essa marca não ficará em Maduro, mesmo que ele morra em uma prisão norte-americana. Essa marca é histórica, jamais será esquecida”.
O presidente colombiano também aproveitou o discurso para apontar um enfraquecimento das instituições multilaterais. Segundo ele, a Organização das Nações Unidas (ONU) vive um processo de “declínio”, diante da incapacidade de conter conflitos armados em diferentes regiões do mundo.
Encontro entre Petro e Trump
As declarações de Petro ocorrem poucos dias antes de um encontro previsto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para o dia 3 de fevereiro, na Casa Branca.
Trump informou, no último dia 7, que conversou por telefone com o líder colombiano sobre temas como narcotráfico e conflitos bilaterais. O diálogo antecedeu a confirmação oficial de que Maduro será julgado em território norte-americano.
Posição oficial da Casa Branca
Ao canal France 24, a Casa Branca confirmou que a Justiça dos EUA ficará responsável pelo julgamento de Maduro. A vice-secretária de imprensa, Anna Kelly, afirmou que o ex-ditador era procurado pelas autoridades norte-americanas.
“Nicolás Maduro era um fugitivo da Justiça norte-americana, preso por narcoterrorismo e conspiração contra os Estados Unidos”, declarou. “O presidente Trump prometeu acabar com o fluxo de drogas e criminosos para o nosso país promovido pelo regime ilegítimo de Maduro e, agora, Maduro será responsabilizado por crimes contra cidadãos norte-americanos”.
As falas reforçam o contraste entre as posições de Bogotá e Washington sobre o destino do ex-líder venezuelano.