Depoimentos revelam esquema de repasses e mesada para silenciar testemunha de homicídio
Um esquema de pagamento de propina que funcionava dentro do Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, está sendo investigado pela Polícia Federal. A apuração, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos contornos após o portal G1 obter acesso ao conteúdo das declarações de Gilbson Cutrim Júnior.
Acesso privilegiado e reuniões no palácio
De acordo com os depoimentos, Gilbson dispunha de livre trânsito no prédio oficial do governo maranhense e contava até com vaga de garagem reservada, tudo por determinação do governador Carlos Brandão (MDB). Gilbson — responsável pelo disparo que vitimou uma pessoa em um centro comercial de São Luís — descreveu encontros regulares tanto com o chefe do Executivo estadual quanto com Daniel Brandão, sobrinho do governador, para tratar da distribuição de valores obtidos por meio de esquemas ligados ao governo do estado.
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Afastamento de Daniel Brandão do Tribunal de Contas
Assim que os trechos do depoimento se tornaram públicos, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o afastamento de Daniel Brandão do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado pelo período de 180 dias. A medida reforçou a gravidade das revelações contidas na investigação.
Homicídio motivado por disputa de propinas
A morte de João Bosco Sobrinho, ocorrida em 2022, está diretamente ligada ao caso. Segundo a apuração, o crime decorreu de um conflito pela divisão de propinas que haviam sido retidas em razão de dívidas trabalhistas de uma empresa fornecedora do estado.
Mesada para garantir o silêncio
Conforme o G1, operadores ligados ao grupo político do governador realizavam pagamentos mensais que variavam entre R$ 15 mil e R$ 40 mil à família de Gilbson Cutrim Júnior. O objetivo era impedir que ele delatasse os envolvidos no esquema. As entregas de dinheiro vivo eram intermediadas pelo ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim e pelo advogado Flávio Costa, que foi nomeado desembargador por Carlos Brandão em 2026.
Ocultação de provas e interferência política
A investigação também apontou que a Polícia Civil do Maranhão omitiu a presença de Daniel Brandão no local do crime durante a primeira apuração dos fatos. O caso foi elevado à esfera do STF após surgirem indícios de que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria atuado para proteger aliados envolvidos no esquema.
Governador nega envolvimento e fala em perseguição
Carlos Brandão se pronunciou ao G1 e rechaçou a alegação de que comandava o esquema. Classificou todas as acusações como mentiras desprovidas de provas e afirmou ter construído uma carreira pública limpa ao longo de décadas. Para o governador, as denúncias decorrem de disputas políticas regionais.
Daniel Brandão, por sua vez, declarou-se inocente e afirmou que sua defesa está à disposição da Justiça. O Tribunal de Justiça do Maranhão não se manifestou a respeito das menções feitas ao desembargador Flávio Costa nos depoimentos.