Empresa fornecedora é investigada por possível receptação de carga avaliada em mais de R$ 880 mil
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma empresa responsável pelo fornecimento de alimentos para programas de merenda escolar e cestas básicas nas cidades de Sorocaba e Votorantim, no interior paulista. A apuração envolve a suspeita de que leite em pó roubado na Bahia tenha sido distribuído a escolas e creches da região.
A carga, estimada em mais de R$ 880 mil, teria sido desviada em dezembro de 2023. O caso levanta questionamentos sobre a origem dos produtos entregues a instituições públicas de ensino e sobre os mecanismos de fiscalização adotados.
Principal suspeito e condução da investigação
De acordo com informações já divulgadas, o sócio da W&C Alimentos Ltda., Cristian Adriano da Costa, é apontado como o principal suspeito de ter adquirido o lote roubado. A empresa é fornecedora de alimentos para contratos municipais nas duas cidades.
As diligências são conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), setor especializado em crimes envolvendo cargas.
Confissão levou à empresa no interior paulista
O avanço das investigações ocorreu após um motorista admitir à polícia que descarregou o leite em pó na sede da W&C Alimentos, localizada em Estiva Gerbi, também no interior de São Paulo. A confissão foi determinante para formalizar a apuração e rastrear o destino da carga desaparecida na Bahia.
Além disso, o relato de uma testemunha protegida ampliou as preocupações. Segundo o depoimento, o leite teria sido retirado “às pressas” das instalações da empresa e distribuído posteriormente para creches e escolas da região.
Essa informação indica que crianças em idade pré-escolar e escolar podem ter consumido um produto com origem e condições de armazenamento desconhecidas, o que suscita dúvidas sobre possíveis riscos à saúde pública.
Defesa nega irregularidades
Diante das acusações, a defesa da W&C Alimentos negou qualquer irregularidade atribuída ao sócio da empresa. Contudo, não foram apresentados detalhes sobre a forma de aquisição do leite em pó nem documentação que comprove a legalidade da compra.
A ausência de esclarecimentos específicos sobre a origem do produto reforça as incertezas em torno do caso.
Silêncio das prefeituras
Até o momento, as prefeituras de Sorocaba e Votorantim — contratantes da empresa investigada — não se manifestaram publicamente sobre os contratos vigentes nem sobre eventuais impactos no fornecimento da merenda escolar.
A falta de posicionamento mantém em aberto questionamentos sobre os critérios de controle e monitoramento da qualidade dos alimentos destinados às redes municipais de ensino.
Riscos e fragilidades no sistema de controle
O episódio expõe possíveis falhas nos processos de fiscalização de fornecedores que atuam em programas públicos de alimentação escolar. A merenda escolar é considerada essencial para milhões de crianças brasileiras, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Quando há comprometimento na cadeia de fornecimento, as consequências podem ser amplas. A eventual distribuição de um produto roubado — sem garantia de armazenamento e transporte adequados — representa risco potencial à saúde dos estudantes.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de auditorias mais rigorosas e mecanismos eficientes de rastreabilidade na contratação de empresas responsáveis pelo abastecimento de escolas.
Apuração segue em curso
As investigações continuam. O Deic busca esclarecer todos os detalhes relacionados à origem, ao armazenamento e à distribuição do leite em pó. A polícia trabalha para verificar se há envolvimento de outras cargas roubadas e se existem mais suspeitos além de Cristian Adriano da Costa.
Enquanto a apuração avança, permanece a dúvida sobre como um produto roubado teria ingressado na cadeia de abastecimento da merenda escolar e quais medidas serão adotadas para impedir que situações semelhantes voltem a ocorrer.