Porta-voz do Departamento de Estado esclarece que medidas miram pessoas e entidades que deem suporte material às facções classificadas como terroristas
Amanda Roberson, porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, descartou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro esteja na mira das novas medidas adotadas por Washington. Em entrevista ao Poder360, divulgada nesta terça-feira, 2, ela explicou que o Pix não figura como alvo inicial da implementação das sanções ligadas à designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Intencionalidade e responsabilização
O centro das medidas, segundo a funcionária norte-americana, são indivíduos e entidades que ofereçam apoio material às duas facções. Amanda enfatizou o papel da intencionalidade como critério para eventual responsabilização. “As designações agora vão entrar na fase de implementação”, afirmou Amanda. “Impossível imaginar ou saber o que poderia acontecer com casos individuais, mas sabemos que o setor financeiro brasileiro é, de modo geral, bem sofisticado e compreende suas responsabilidades para cumprir com a legislação norte-americana.”
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Ação militar está fora de cogitação
A porta-voz também tratou de afastar qualquer hipótese de intervenção militar por parte dos EUA. De acordo com ela, a legislação que embasa essas classificações não abre margem para esse tipo de medida. “A lei norte-americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar”, declarou a porta-voz. “É o departamento de guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos.”
Cooperação bilateral entre Brasil e EUA
Amanda Roberson reforçou a necessidade de atuação conjunta entre os dois países. “A nossa relação econômica também é muito ampla”, comentou a porta-voz. “Nós já temos uma história de mais de 200 anos trabalhando juntos. Estamos constantemente nos engajando em muitos temas diferentes, comércio, tecnologia. Essa colaboração também vai continuar. Os EUA e o Brasil são duas economias fortes, países grandes. Precisamos trabalhar juntos.”
PCC e CV entre 17 organizações terroristas do hemisfério
Conforme relatado pela funcionária do Departamento de Estado, a atuação do PCC e do Comando Vermelho foi identificada e registrada em um a cada quatro estados norte-americanos. As duas facções brasileiras integram uma lista de 17 organizações do hemisfério ocidental que os EUA passaram a classificar como terroristas estrangeiras.
Influência de Flávio Bolsonaro é negada
Amanda Roberson negou que o senador Flávio Bolsonaro tenha exercido qualquer influência sobre a decisão do governo do presidente Donald Trump de realizar as designações. Flávio e Trump estiveram juntos em 26 de maio, na Casa Branca, mas, segundo a porta-voz, o encontro não teve relação com a medida.