Justiça

PGR defende arquivamento de ação contra autores da série “Vaza Toga”

PGR pede arquivamento de ação contra autores da Vaza Toga por ausência de fatos individualizados.

Paulo Gonet afirma que não há elementos individualizados para investigação criminal no STF

A Procuradoria-Geral da República recomendou o arquivamento da ação apresentada pela jornalista Letícia Sallorenzo ao Supremo Tribunal Federal contra David Ágape, Eli Vieira e Eduardo Tagliaferro. A manifestação foi assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet.

Na ação, Sallorenzo solicitava a abertura de investigação criminal contra os três por supostos crimes de difamação, injúria e até abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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PGR vê ausência de elementos para atuação do STF

No parecer encaminhado ao Supremo, Paulo Gonet sustentou que a petição não apresenta fatos individualizados capazes de justificar a instauração de investigação criminal no âmbito da Corte. Segundo ele, as acusações se concentram, em sua maioria, em alegadas ofensas à honra, matérias que podem ser analisadas pelas vias cível e criminal comuns, sem necessidade de atuação do STF.

Para a Procuradoria, portanto, não há fundamento jurídico que autorize o prosseguimento da ação no Supremo.

Série “Vaza Toga” motivou a representação

David Ágape, Eli Vieira e Eduardo Tagliaferro são autores da série de reportagens conhecida como “Vaza Toga”, publicada entre 2024 e 2025. O material teve como base mensagens atribuídas a integrantes do gabinete do ministro , referentes ao período em que ele presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As reportagens levantaram questionamentos sobre procedimentos internos adotados em investigações conduzidas à época.

Ex-assessor aponta supostas irregularidades

Eduardo Tagliaferro, que atuou como assessor de Alexandre de Moraes, afirma que houve irregularidades em investigações contra empresários alinhados ao ex-presidente Jair (PL) durante o ano de 2022.

Segundo Tagliaferro, teriam ocorrido manipulações de documentos utilizados para justificar mandados de busca e apreensão. Ele sustenta que parte do material teria sido produzida posteriormente às operações, a pedido de um juiz auxiliar ligado ao gabinete do ministro.

Moraes nega irregularidades

O gabinete de Alexandre de Moraes rebateu as acusações e negou qualquer irregularidade nos procedimentos adotados. De acordo com a manifestação atribuída ao ministro, todas as ações foram legais, devidamente documentadas e acompanhadas pela própria Procuradoria-Geral da República.

“Os relatórios simplesmente descreviam as postagens ilícitas realizadas nas redes sociais, de maneira objetiva, em virtude de estarem diretamente ligadas às investigações de milícias digitais”, argumenta o magistrado.

Com o parecer da PGR, caberá agora ao Supremo decidir se acolhe a recomendação e arquiva definitivamente a ação.


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