PGR critica decisão de Gilmar Mendes sobre delações premiadas

PGR critica decisão de Gilmar sobre delação cruzada e alerta para impacto em julgamentos recentes do STF.
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Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Manifestação aponta “extrema gravidade” e menciona possíveis impactos em julgamentos do STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou entendimento do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre acordos de delação premiada. A manifestação foi apresentada nesta segunda-feira (2) e integra processo que resultou no trancamento de contra o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PT).

O documento é assinado pela subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques.

Trancamento de ação penal

Em janeiro, Gilmar determinou o trancamento de ação penal que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra Ricardo Coutinho. O ministro entendeu que o processo foi fundamentado com base em elementos provenientes de delação que caracterizariam “colaboração cruzada”.

A chamada delação cruzada ocorre quando informações de um colaborador confirmam, complementam ou validam depoimentos de outro, seja no mesmo processo ou em ações distintas.

Alerta sobre consequências

Na manifestação, a PGR afirma que a decisão pode ter repercussões amplas no Judiciário.

“A decisão tomada pelo eminente relator é de extrema gravidade e, caso venha a prevalecer, trará severas consequências a julgamentos dessa Suprema Corte”, diz trecho do documento. “Especialmente aos recentes julgamentos proferidos nos processos envolvendo os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro.”

Citação a Bolsonaro e Marielle

Ao argumentar contra o entendimento de Gilmar, a subprocuradora mencionou processos que envolveram o ex-presidente Jair (PL) e outros investigados por suposta trama golpista.

Segundo a PGR, as condenações nesses casos tiveram como base provas obtidas a partir da delação do tenente-coronel Mauro Cid.

A manifestação também faz referência ao processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. No caso, o STF condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão como mandantes dos homicídios.

“Todos os elementos de prova que fundamentaram a condenação dos irmãos Brazão surgiram ‘vinculados, contextualizados e interpretados a partir da narrativa fornecida pelos colaboradores’”, destacou Cláudia Sampaio Marques.

A PGR sustenta que a consolidação do entendimento adotado por Gilmar poderia afetar processos que utilizaram provas derivadas de delações em conjunto.


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