Marco Aurélio Santana Ribeiro recebeu R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger; STF autorizou inquérito para investigar tráfico de influência no Palácio do Planalto
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu aval à abertura de um inquérito que mira suspeitas de tráfico de influência no Palácio do Planalto. A investigação envolve o grupo do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger — ambos já na mira da Polícia Federal e da extinta CPMI do INSS.
No centro das apurações está Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que chefiou o gabinete do presidente Lula (PT) desde o início do atual mandato até 21 de julho de 2026. A Polícia Federal deve ouvi-lo sobre a relação com Luchsinger e o suposto papel de ponte entre a lobista e o governo federal.
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Transferências de R$ 249 mil e a versão de Marcola
Segundo a investigação, Luchsinger transferiu R$ 249 mil ao ex-assessor. Os valores foram identificados pela PF ao analisar o conteúdo do celular da empresária, apreendido em diligências anteriores ligadas às fraudes no INSS. Marcola confirmou os repasses.
Em nota, ele reconheceu as transferências, mas sustentou que eram empréstimos pessoais já quitados. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, disse o assessor de Lula.
A PF quer esclarecer se os repasses tiveram como contrapartida a obtenção de contratos com o governo federal.
Três inquéritos contra Lulinha
A investigação ganhou outros desdobramentos. A Polícia Federal também pediu a abertura de inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Desde o fim de julho, três inquéritos distintos envolvendo Lulinha receberam autorização judicial.
Dois deles foram autorizados pelo ministro André Mendonça. O primeiro apura se Lulinha teria usado sua posição para favorecer o “Careca do INSS” em negociações com o Ministério da Saúde. O segundo investiga suspeitas em contratos com a Dataprev. Já o terceiro inquérito, autorizado pelo ministro Flávio Dino, tem como foco específico a atuação de Roberta Luchsinger.
Proximidade entre Luchsinger e Lulinha
Os investigadores descrevem Luchsinger como intermediária entre o filho do presidente e o “Careca do INSS”. A empresária já foi alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Coffee-Break (também referida em apurações como Sem Desconto), que investiga fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS.
Lulinha reside na Espanha. O presidente Lula já declarou que, se necessário, o filho retornará ao Brasil para depor e que ele deve responder “como filho de qualquer pessoa”. A defesa de Lulinha nega as acusações e afirma que ele “não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”.
Afastamentos e repercussões políticas
Após o início das apurações sobre os R$ 249 mil, o governo decidiu afastar Marcola do conselho administrativo da Terracap, empresa pública do Distrito Federal. O presidente Lula afirmou que manterá distância tanto de Marcola quanto de Lulinha durante o período eleitoral e defendeu que ambos atuem com transparência e prestem todos os esclarecimentos.
Oficialmente, Marcola deixou a chefia de gabinete para integrar a coordenação da campanha de reeleição de Lula. Contudo, fontes ligadas ao governo e reportagens posteriores indicaram que a descoberta das transferências influenciou a saída. Ele chegou a fazer parte da equipe de campanha, mas abandonou a coordenação após o caso vir a público.
Origem das provas
Todo o levantamento que levou às suspeitas contra Marcola partiu de dados extraídos do celular de Roberta Luchsinger, apreendido durante investigações sobre as fraudes no INSS. Foi nesse material que a Polícia Federal localizou os registros das transferências, cujo valor total de R$ 249 mil o próprio ex-assessor reconheceu.