Justiça

PF levou cerca de 10 minutos para socorrer “Sicário” após tentativa de enforcamento em cela

Investigado ligado a Daniel Vorcaro tentou se enforcar em cela da PF e teve morte encefálica confirmada dois dias depois.

Investigado ligado a Daniel Vorcaro foi levado em estado grave ao hospital; morte encefálica foi confirmada dois dias depois

Equipes da (PF) levaram aproximadamente 10 minutos para prestar os primeiros socorros a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, após ele tentar tirar a própria vida dentro da carceragem da corporação em Minas Gerais, na quarta-feira (4).

Sicário era apontado pelos investigadores como operador ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que também foi preso no mesmo dia.

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Imagens mostram momento da tentativa

Informações exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, indicam que o investigado estava sozinho na cela quando foi ao banheiro.

Pouco depois, ele retornou com uma camisa de manga comprida enrolada no pescoço. O tecido foi preso às grades da cela e, em seguida, Sicário tentou se enforcar duas vezes.

Segundo o superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad, os agentes perceberam a situação pouco tempo depois.

“Decorreram aproximadamente 10 minutos, no máximo”, afirmou Murad. “A equipe, assim que constatou a anomalia da situação, se deslocou imediatamente.”

Atendimento médico foi acionado

De acordo com o superintendente, os retiraram o preso da posição de enforcamento e acionaram equipes médicas para prestar atendimento.

“Acionamos tanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência [Samu] quanto uma equipe de pronto-socorro da própria Polícia Federal, que iniciou o processo de reanimação”, declarou.

Murad afirmou que os agentes conseguiram estabilizar o preso até a chegada do atendimento móvel, quando a equipe do Samu assumiu os procedimentos médicos no local.

O superintendente destacou que os policiais de plantão também exercem outras funções além do monitoramento das câmeras, mas classificou a atuação da equipe como “extremamente diligente”.

Internação e confirmação de morte encefálica

Após o atendimento inicial, Sicário foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi internado em estado grave.

Dois dias depois da tentativa de enforcamento, exames médicos confirmaram morte encefálica.

A Polícia Federal colheu depoimentos de pessoas envolvidas no episódio e informou que as investigações sobre o caso continuam em andamento.

Investigação aponta ligação com grupo ligado ao Banco Master

Segundo a Polícia Federal, Sicário era investigado por integrar um grupo conhecido como “A Turma”, do qual também faria parte Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

De acordo com as apurações, Mourão atuava na coordenação de atividades de coleta de informações, incluindo monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados estratégicos para os interesses do grupo.

Acesso a sistemas restritos

As investigações apontam que Sicário realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos.

Entre as bases acessadas estariam sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol.

Atuação também incluía ações digitais

Segundo os investigadores, o operador teria participado de ações para remover conteúdos e perfis em plataformas digitais.

O objetivo dessas operações seria obter dados de usuários ou retirar críticas ao grupo da circulação.

Além disso, Sicário teria coordenado equipes envolvidas em atividades ligadas ao Banco Master. De acordo com a investigação, ele também atuava para intimidar ex-funcionários da instituição financeira e levantar informações sobre possíveis alvos.

Conversa com Vorcaro mencionou ataque a jornalista

Em uma das situações mencionadas pelas autoridades, Sicário teria participado de uma conversa com Daniel Vorcaro em que o ex-banqueiro pediu para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo.

Outras acusações na Justiça

Além das investigações federais, Sicário também respondia a um processo movido pelo Ministério Público de Minas Gerais.

O órgão o denunciou por participação em um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões entre junho de 2018 e julho de 2021.

Segundo a acusação, o dinheiro circulava por contas bancárias de empresas ligadas ao investigado com o objetivo de atrair investidores.

Ele se tornou réu em uma ação que apura lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a economia popular.

Relatório policial aponta papel central no grupo

No final do ano passado, o setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou o celular apreendido de Sicário.

O relatório produzido a partir da análise indicou que ele exercia papel central na estrutura do grupo investigado.

De acordo com os investigadores, o conteúdo extraído do aparelho revelou conversas que reforçam as suspeitas, mesmo após tentativas de apagar mensagens.

O documento concluiu que Sicário ocupava posição de chefia, coordenando integrantes da organização e administrando atividades consideradas ilícitas.


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