Presidente da Fiesp afirma que disputas políticas prejudicaram a relação comercial com os Estados Unidos
No mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos oficializou a imposição de uma taxa adicional de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, apontou o governo federal como responsável pelo agravamento da crise comercial. Em entrevista à CNN Brasil, o dirigente industrial sustentou que posturas de confronto, alimentadas por cálculos eleitorais, minaram as negociações bilaterais.
Confronto político em vez de pragmatismo comercial
Na avaliação de Skaf, o Brasil deveria tratar a relação com a maior economia do planeta como prioridade estratégica, e não como arena de disputas internas. Segundo ele, “intenções eleitorais” empurraram o país para um posicionamento beligerante diante de Washington.
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O presidente da Fiesp foi enfático ao classificar as tensões como resultado de “picuinhas” políticas que contaminaram o ambiente diplomático entre os dois países.
Política sobrepondo a técnica
Para Skaf, a questão central é que o aspecto político passou a dominar o que deveria ser uma negociação de natureza técnica:
“Quando o lado político atinge alguns pontos, atrapalha a negociação e a prioridade deixa de ser técnica. É arrumar pretexto para fazer alguma coisa que politicamente querem fazer”, declarou à CNN Brasil.
Críticas às declarações do governo brasileiro
Outro ponto destacado por Paulo Skaf foi o impacto negativo de pronunciamentos oficiais brasileiros sobre a relação bilateral. Na visão do industrial, manifestações públicas que soam agressivas ao parceiro comercial americano são contraproducentes.
“Não dá para toda hora haver declarações que possam estar agredindo aquele parceiro que nos interessa, um bom cliente, a maior economia do mundo”, afirmou.
Diplomacia empresarial como solução
Como alternativa ao impasse, o presidente da Fiesp defendeu o que chamou de diplomacia empresarial. A proposta envolve aproximar diretamente empresas brasileiras e norte-americanas para construir pontes que a via governamental não tem conseguido estabelecer.
Skaf reforçou que o Brasil precisa, com urgência, corrigir o tom político adotado na relação com os Estados Unidos, sob risco de aprofundar os prejuízos ao comércio exterior nacional.
As declarações foram dadas nesta quinta-feira (16), conforme informações divulgadas pela CNN Brasil.