Imagem gerada aparentemente por inteligência artificial ficou exposta por duas horas em Ciudad del Este e gerou onda de indignação
Dezenas de pessoas foram às ruas de Ciudad del Este, cidade paraguaia fronteiriça a Foz do Iguaçu, na sexta-feira (29), para destruir painéis eletrônicos que exibiam uma montagem do ex-presidente Jair Bolsonaro agredindo o jogador Gustavo Gómez, zagueiro do Palmeiras e da seleção paraguaia de futebol.
O que mostrava a imagem
A peça, aparentemente criada com inteligência artificial, trazia diversas frases provocativas em português. Uma delas dizia: “Brasil mandou e desmandou no campo e na política!”. Os painéis também exibiam as mensagens “No futebol, goleada”, “Na economia, liderança” e “Na diplomacia, respeito”.
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Além da agressão simulada contra Gómez, os anúncios faziam referência à goleada de 4 a 0 aplicada pelo Brasil sobre o Paraguai em 2022, pelas eliminatórias da Copa do Mundo do Catar, conforme reportou a imprensa local.
Reação popular e violência nas ruas
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que um grupo numeroso de pessoas destrói um dos painéis eletrônicos. Nas imagens, também é possível ver a agressão a um homem que tentava cobrir o equipamento. A imprensa paraguaia presume que se tratava de um funcionário da empresa proprietária do espaço publicitário.
A presidente da Câmara Municipal de Ciudad del Este, Allison Anisimoff, informou que os painéis ficaram no ar por aproximadamente duas horas antes de serem desligados. Ela classificou os anúncios como um “atropelo ao patriotismo paraguaio”.
Pronunciamento do Congresso paraguaio
O presidente do Congresso do Paraguai, o governista Basilio Núñez, divulgou nota oficial repudiando o episódio:
“O Paraguai merece respeito. Nosso país construiu historicamente relações de cooperação, amizade e fraternidade com os demais povos da região, princípios que devem prevalecer acima de qualquer manifestação que pretenda semear a divisão.”
Empresas alegam invasão hacker
Francisco Centurión, advogado de uma das empresas donas dos letreiros onde a montagem foi veiculada, sustentou que os painéis foram “hackeados” por pessoas “com intenções de prejudicar o comércio” na região.
“Inclusive, causaram um problema social”, acrescentou Centurión.
O advogado explicou que os responsáveis pelo suposto ataque cibernético “poderiam estar em qualquer parte do mundo”, uma vez que os painéis podem ser acessados remotamente pela internet.
Detalhe que o presidente Bolsonaro é palmeirense.