Françoá Rodrigues publicou carta aberta com críticas ao alto clero e considera inválida a punição imposta pela Igreja Católica
Uma carta de oito páginas endereçada aos católicos de Brasília reacendeu o confronto entre o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e a estrutura oficial da Igreja Católica. Publicado nesta quinta-feira (16), o documento traz duras críticas à hierarquia eclesiástica brasileira e rejeita a validade da excomunhão decretada contra ele. O sacerdote garante que continuará celebrando missas.
A origem do conflito com a Fraternidade Sacerdotal Pio X
Desde 5 de abril de 2025, o padre Françoá considera-se aderente à Fraternidade Sacerdotal Pio X (FSSPX), entidade que realizou ordenações episcopais sem a autorização do papa. Em 1.º de julho, quatro presbíteros da Fraternidade foram ordenados bispos à revelia do Vaticano. No dia seguinte, 2 de julho, a Santa Sé publicou decreto de cisma e excomunhão contra todos os envolvidos.
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A medida atinge de forma extensiva todos os ministros ligados à FSSPX — incluindo, portanto, Françoá Costa. A partir desse decreto, seus atos ministeriais passaram a ser considerados ilícitos pela Igreja.
Posição oficial da Arquidiocese de Brasília
Em nota pastoral divulgada no dia 11, a Arquidiocese de Brasília detalhou as consequências canônicas da adesão do sacerdote à Fraternidade. O documento afirma que os sacramentos da confissão e do matrimônio ministrados por ele são nulos.
A arquidiocese vai além e alerta os fiéis: quem frequentar regular ou exclusivamente as atividades vinculadas à FSSPX também é considerado cismático e excomungado.
“Portanto, as celebrações, atividades pastorais, iniciativas de formação ou demais atos promovidos na denominada ‘Capela Santo Anastácio’ são considerados irregulares por não se exercerem em comunhão com o Romano Pontífice, nem com o Arcebispo Metropolitano de Brasília, e devem ser terminantemente evitadas pelos fiéis, em razão do grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão.”
A arquidiocese informa que, em consonância com a Santa Sé, seu único posicionamento oficial sobre o tema está expresso no documento intitulado Nota Pastoral sobre a denominada Capela Santo Atanásio e o Revdo. Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, publicado em seu site oficial.
Denúncias de rituais e retaliações internas
Na carta aberta, o padre relata episódios que, segundo ele, revelam o ambiente hostil que enfrentou ao longo de 22 anos de sacerdócio. Françoá afirma ter entrado em conflitos com bispos, sacerdotes e leigos na defesa daquilo que considera a fé católica autêntica.
Um dos casos mencionados ocorreu em setembro de 2022, quando ele denunciou a realização de rituais de macumba em templo católico na Paróquia de Sobradinho e na própria Catedral de Brasília. Um vídeo sobre a denúncia viralizou, e o sacerdote recebeu ordem da arquidiocese para remover o conteúdo das redes. Ele acatou: “o que na época eu fiz, pois talvez eu acreditasse na obediência cega que eles tanto apregoam”.
Quatro anos na Arquidiocese e a transferência forçada
Françoá relata ter atuado por quatro anos na Arquidiocese de Brasília e ter sido escolhido como representante de todos os padres da Ceilândia em questões pastorais e de coordenação. Ainda assim, segundo ele, uma atitude aparentemente inofensiva levou à sua remoção.
“Mesmo colaborando tanto com esta Arquidiocese, quando eu coloquei uns papéis dentro do Missal Romano que traziam a tradução ao latim daquilo que estava em português, fui retirado da Paróquia Senhor Bom Jesus, em 2024.”
Santos rebeldes como inspiração
Para justificar sua postura de enfrentamento, o padre recorreu a exemplos históricos. Ele lembrou que figuras hoje veneradas pela Igreja, como Santo Atanásio e Santa Joana D’Arc, foram condenadas por autoridades eclesiásticas de suas épocas, mas posteriormente reconhecidas e canonizadas.
Françoá também reafirmou sua oposição frontal a princípios adotados pela Igreja contemporânea: “Não podemos aceitar os erros do Concílio Vaticano II, entre eles, a liberdade religiosa, o ecumenismo, o humanismo horizontal, a reforma da Missa, a colegial-sinodalidade.”
Ele também mencionou casos de abusos sexuais envolvendo sacerdotes como parte de suas críticas ao clero brasileiro.