Parlamentares criticam atuação da primeira-dama no debate sobre segurança pública e questionam legitimidade da proposta
A defesa da retirada do Discord do ar feita pela primeira-dama Janja Lula da Silva na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, provocou uma onda de reações entre parlamentares e figuras da oposição. Críticas à proposta de suspensão da plataforma e ao papel desempenhado por Janja em discussões sobre políticas públicas dominaram publicações no X.
Kataguiri questiona legitimidade da primeira-dama
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) foi um dos primeiros a se manifestar, colocando em xeque a autoridade de Janja para exigir a remoção de uma plataforma digital. A primeira-dama não ocupa cargo oficial no governo.
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“Por que a primeira-dama está mandando tirar algo do ar? Quem votou nela?”, questionou. “Além desse absurdo, tirar a plataforma do ar apenas fará os criminosos trocarem de plataforma. Inacreditável que o nosso país fique refém de pessoas tão incompetentes.”
Na avaliação do deputado, o bloqueio do Discord seria ineficaz, já que eventuais criminosos simplesmente migrariam para outras ferramentas de comunicação.
Nikolas Ferreira vê reflexo eleitoral negativo
Outro parlamentar a reagir foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que traçou um paralelo entre o pedido de Janja e a postura do governo Lula no enfrentamento à criminalidade.
“Nunca é pra bloquear celular em presídio, é sempre pra banir alguma rede social”, escreveu. “Mas excelente… vai pegar bem demais com o público jovem em eleição.”
A declaração do deputado mineiro sugere que a proposta pode ter consequências eleitorais para o governo, considerando a popularidade do Discord entre o público mais jovem.
Rubinho Nunes critica foco do governo
O deputado estadual Rubinho Nunes (União Brasil-SP) direcionou suas críticas à estratégia adotada pelo governo em matéria de segurança pública. Para ele, o debate deveria estar centrado no endurecimento das penas e no combate direto aos criminosos, não na derrubada de plataformas.
“Em vez de combater o criminoso e endurecer as penas, prefere derrubar o Discord no país inteiro”, publicou. “A esquerda não sabe combater a criminalidade, mas é especialista em censura.”
Partido Novo também se posiciona
Além das manifestações individuais de parlamentares, o Partido Novo também se posicionou contra a proposta, declarando-se contrário à censura de plataformas digitais.
As declarações da oposição foram publicadas no X e convergiram em dois pontos centrais: a ilegitimidade de Janja para interferir em políticas públicas — uma vez que ela não possui mandato eletivo nem cargo formal no governo — e a ineficácia de bloquear uma plataforma como forma de combater a criminalidade.