Investigador-chefe da Polícia Civil, ex-policial e ex-estagiário foram presos por atuar como informantes da facção criminosa
Um esquema de espionagem montado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foi desmantelado nesta terça-feira, 9. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou que três pessoas — um investigador-chefe da Polícia Civil, um ex-policial e um ex-estagiário da instituição — atuavam como infiltrados a serviço da facção.
Plano para matar promotor e extorsão de traficantes
Os envolvidos não apenas vazavam informações sigilosas para lideranças do PCC, como também participavam de um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco. Além disso, o grupo criminoso cobrava propina de traficantes em troca de proteção.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
A trama foi descoberta quando os promotores perceberam que um dos traficantes que estavam sendo monitorados sofria chantagens de alguém que tinha acesso direto aos sistemas informatizados da Promotoria Criminal. A investigação revelou que o responsável pelas ameaças era um estagiário de Direito que havia se infiltrado propositalmente na sede do Ministério Público para roubar dados de investigados com alto poder financeiro.
Câmeras flagraram encontro entre policial e executor do PCC
O investigador-chefe atuava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas. Segundo o jornal O Globo, câmeras de segurança gravaram uma reunião entre o policial e o homem designado para executar o promotor do Gaeco. O encontro aconteceu apenas uma semana antes de o MP iniciar a primeira fase das investigações que acabaram frustrando o atentado.
O agente se valia do cargo para acessar informações sigilosas nos sistemas policiais. Os relatórios obtidos eram repassados a chefes da facção, entre eles o traficante Sérgio Luiz de Freitas, conhecido no crime como “Mijão”.
Rede de apoio incluía ex-policial expulso e agente penal
O estagiário contava com o suporte de um ex-policial civil — já expulso da corporação por envolvimento em sequestro — e de um policial penal. Juntos, eles pressionavam e cobravam valores de criminosos investigados.
A Justiça determinou buscas também contra o policial penal envolvido na rede de vazamentos. A Operação Infiltrados mobilizou policiais militares do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e corregedorias para cumprir três mandados de prisão temporária e dez ordens de busca e apreensão. As diligências se concentraram nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.
Desdobramento de investigações anteriores
A apuração atual é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White, que já haviam mirado planos de homicídio e lavagem de dinheiro ligados ao núcleo do PCC em Campinas. A ação desta terça-feira reforça o alcance da infiltração da facção em órgãos do Estado.