Operação Bazaar: esquema de propina a policiais civis em São Paulo durou mais de cinco anos
Uma rede de pagamentos ilegais a agentes da Polícia Civil paulista funcionou de forma ininterrupta por pelo menos cinco anos, com o objetivo de blindar um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro. A revelação consta na denúncia criminal apresentada nesta segunda-feira, 27, pelo Ministério Público de São Paulo, que acusa 23 pessoas de participação em organização criminosa.
Repasses começaram em agosto de 2020
De acordo com a peça acusatória elaborada pelo Gaeco, os integrantes do grupo criminoso pagavam regularmente policiais civis que tinham a função de investigar o próprio esquema. Os repasses tiveram início em agosto de 2020 e não cessaram nem mesmo quando a Polícia Federal passou a atuar no caso.
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As investigações identificaram ainda manobras para obstruir a Justiça. Entre as práticas apuradas estão a substituição de equipamentos eletrônicos apreendidos e a retirada de documentos relevantes para as apurações.
Três estruturas da Polícia Civil envolvidas
A rede de corrupção penetrou ao menos três unidades da Polícia Civil do estado de São Paulo: o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e o 16º Distrito Policial.
Os crimes imputados aos 23 réus incluem corrupção ativa e passiva, fraude processual e associação criminosa. A denúncia é fruto das apurações da Operação Bazaar, deflagrada no início de março de 2026, que expôs a movimentação de bilhões de reais.
Pedidos de prisão, tornozeleiras e bloqueio patrimonial
Na denúncia, o Gaeco requer a manutenção das prisões preventivas já determinadas desde a fase ostensiva da Operação Bazaar. Para os denunciados que se encontram em liberdade, o MP-SP solicita a imposição de tornozeleiras eletrônicas e a entrega dos passaportes.
No caso específico dos policiais civis incluídos na ação penal, o órgão pede o bloqueio de patrimônio e valores de até R$ 5 milhões por pessoa.
Posição da Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as apurações em andamento.
Em nota oficial, a corporação declarou: “A PC reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.
Próximos passos
O caso segue agora para apreciação do Poder Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e a continuidade das medidas cautelares aplicadas aos réus.