Relatório do Provea revela assassinatos sistemáticos, desaparecimentos forçados e colapso social ao longo de mais de uma década de governo chavista
Quatro meses após a prisão de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, um novo relatório expõe a dimensão das atrocidades cometidas durante seus anos no poder. O Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) publicou na quinta-feira, 14, um levantamento que contabiliza 10.853 vítimas de execuções extrajudiciais perpetradas pelo aparato estatal venezuelano desde 2013.
Jovens e bairros populares como alvos prioritários
Segundo a organização não governamental, que atua na defesa dos direitos humanos na Venezuela, os crimes foram executados de maneira sistemática por policiais e militares. Os bairros populares concentraram a maior parte das mortes. Jovens entre 18 e 30 anos constituíram o principal alvo da violência estatal.
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Os dados mostram ainda um crescimento alarmante nos casos de desaparecimentos forçados. O índice disparou 196% em relação a levantamentos anteriores. Agentes do serviço de inteligência conduziram perseguições implacáveis contra líderes sociais e defensores dos direitos civis, submetidos a ameaças constantes.
Prisão de Maduro e fim de 27 anos de chavismo
A operação que resultou na captura de Nicolás Maduro aconteceu em 3 de janeiro, em Caracas. Tropas especiais norte-americanas encerraram um ciclo de 27 anos de governos chavistas na Venezuela. Apesar da queda do ditador, o Provea alerta que a estrutura repressiva montada pelo regime permanece ativa no país.
Economia destruída e crise humanitária
O legado do governo de Maduro transcende a violência direta. A economia venezuelana foi desorganizada a ponto de o salário mínimo ter sido reduzido ao equivalente a 0,45 centavos de dólar no encerramento do ano passado. Atualmente, metade da população economicamente ativa depende do trabalho informal para sobreviver.
Líderes sindicais também sofreram repressão direta. Mais de 130 foram presos de forma arbitrária pelas autoridades do antigo governo.
Saúde pública em colapso
O sistema de saúde entrou em falência completa. O desabastecimento de medicamentos atinge 88% dos hospitais do país. A carência de materiais médicos básicos compromete o funcionamento de praticamente todas as unidades de atendimento.
Degradação ambiental
A crise ambiental agrava o cenário. A extração ilegal de minérios e os constantes vazamentos de petróleo avançam sem controle, aprofundando os danos ao território venezuelano.