Justiça

Onde Lulinha e lobista planejavam esconder dinheiro em segundo revelam investigações da PF

Investigações da PF revelam que Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger discutiram blindar recursos em Liechtenstein e na Suíça, antigos paraísos fiscais

Mensagens apreendidas detalham planos do grupo para abrir empresas e contas bancárias em antigos paraísos fiscais europeus

Investigações conduzidas pela no âmbito de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que o grupo liderado pela Roberta Luchsinger e por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, discutiu estratégias para manter recursos financeiros fora do Brasil. Entre os destinos cogitados estava o minúsculo principado de Liechtenstein, encravado entre a Áustria e a Suíça, historicamente conhecido como paraíso fiscal.

Motivação para escolha de Liechtenstein

De acordo com os investigadores, Roberta Luchsinger considerava o principado europeu um local seguro para abrigar recursos do grupo. A razão? Segundo mensagens apreendidas, a lobista explicou que seu ex-marido a havia informado certa vez que era impossível “prender” recursos depositados em bancos daquele país. O ex-marido de Roberta é o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que atualmente reside na Suíça.

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Orientações para abertura de empresas e contas no exterior

Conforme mensagens apreendidas pela PF, em 4 de fevereiro de 2024, Roberta orienta Gustavo Gaspar, sócio do notório Careca do INSS e ex-assessor do senador governista Weverton Rocha (PDT-MA), a abrir uma empresa em Liechtenstein. Ela ainda apresenta opções de instituições bancárias na Suíça, que por décadas foi o maior paraíso fiscal do planeta e figurava como outro destino avaliado pelo grupo para abertura de contas.

Poucos dias após essas orientações, Roberta e Lulinha embarcaram para a Europa. Durante a viagem, a lobista fez comentários sobre reuniões realizadas em bancos. A Polícia Federal, ao analisar as mensagens, registrou o seguinte: “Causa estranheza o interesse em abrir conta bancária fora do Brasil, além de abrir empresa em Liechtenstein. É importante observar que ROBERTA busca abrir empresa num local que, segundo ela mesma, ‘é impossível prender ’. Diante dessa afirmação, é possível que estejam tentando blindar valores obtidos de forma ilícita”.

Inquéritos no STF e suspeitas graves

Tanto a lobista quanto o filho do presidente são alvos de inquéritos no STF que apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção, e venda de prestígio. A hipótese investigativa aponta para a existência de uma sociedade informal na qual os envolvidos supostamente vendiam acesso às portas do governo petista em troca de honorários.

Uma reportagem de capa da edição de VEJA, que chegou às bancas e plataformas digitais nesta quinta-feira, 20, revelou a íntegra dos inquéritos que envolvem Lulinha, além das descobertas mais relevantes da Polícia Federal sobre a atuação do grupo nos corredores do governo. A partir de conteúdos dos aparelhos celulares dos investigados armazenados em nuvem, os agentes identificaram detalhes da ofensiva do grupo contra o Ministério da Saúde, a Dataprev e diferentes órgãos do Executivo.

Malas de dinheiro vivo e embrulhos entre roupas de grife

No Brasil, a única informação pública sobre o patrimônio de Roberta Luchsinger é a declaração de bens que ela apresentou à Justiça Eleitoral quando tentou ser deputada estadual pelo PT em 2018: 1,5 milhão de reais. Contudo, as investigações sobre tráfico de influência no revelam que a lobista tinha, por exemplo, o hábito de armazenar dinheiro vivo em malas e em pequenos embrulhos escondidos entre roupas de grife.

Trocas de mensagens entre a empresária e seu motorista particular ilustram essa prática. Em março de 2023, o funcionário repassou a ela a contabilidade do que estava guardado dentro de uma mala: 500.000 em um lado (a moeda não é revelada) e 90.000 no outro. Logo em seguida, Luchsinger deu instruções para a entrega de 193.000 em cash ao empresário Fernando Bittar que, conforme revelou VEJA, integrava com ela e Lulinha uma sociedade oculta suspeita de traficar influência na administração pública.

Em maio do mesmo ano, a empresária pediu que o funcionário realizasse um depósito e indicou uma caixa, localizada atrás de uma bolsa de grife no armário, onde estariam guardados “bolinhos” de dinheiro com 10.000 (a moeda não é informada) cada.


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