Comentarista da GloboNews criticou suspensão da campanha presidencial de Renan Santos determinada pelo ministro do TSE
A decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, que suspendeu todas as atividades de campanha do candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, provocou forte reação no meio político e jornalístico. Durante o programa Estúdio i, da GloboNews, nesta segunda-feira (31), o comentarista político Octávio Guedes não poupou críticas à medida e a classificou como antidemocrática.
O que motivou a decisão do TSE
Mais cedo naquele dia, o TSE havia tornado pública uma decisão assinada por Toffoli, determinando a suspensão integral da campanha de Renan Santos. A justificativa apresentada pelo ministro foi o descumprimento dos prazos de registro dos canais digitais oficiais da candidatura, incluindo site e redes sociais.
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Guedes aponta interferência eleitoral sem comprovação de dolo
Na avaliação de Octávio Guedes, o ministro interferiu na disputa eleitoral sem apresentar provas de que houve intenção deliberada do candidato em descumprir as normas.
— A decisão do ministro é antidemocrática, porque um ministro, monocraticamente, não pode interferir em quem participa ou quem não participa de uma eleição. E é isso que o Toffoli fez. O Toffoli está tirando uma peça da eleição sem ter provado dolo do candidato. É uma coisa cartorial — declarou.
Precedente perigoso, segundo o analista
O comentarista foi além e classificou a medida como um “precedente perigoso”, argumentando que a justificativa era insuficiente para afastar um candidato da corrida presidencial.
— Você interferir numa eleição de medida monocrática, de forma monocrática, abre um precedente extremamente perigoso. E por uma questão dessa, a não declaração de perfis. Lógico que tinha que declarar perfil, lógico que tinha que seguir tudo que a Justiça fez. Agora, você excluir, mesmo que temporariamente, um candidato da corrida eleitoral com uma decisão monocrática é muito poder para um ministro só — disse.
Comparação com o regime militar
Octávio Guedes ainda traçou um paralelo entre o efeito prático da decisão e o que ocorria durante a ditadura militar no Brasil, quando candidaturas eram impedidas por atos institucionais.
— Quem decidia quem podia concorrer, quem não podia concorrer na ditadura era lá o presidente. A ditadura se caracterizou justamente por exclusão de candidatos, quem podia e quem não podia concorrer. Não estou comparando aqui a decisão do ministro Toffoli com nenhum ato institucional, mas o efeito que ela produz é o mesmo. O efeito é o mesmo, você não pode concorrer — finalizou.
Equipe de Renan Santos reage à medida
A equipe do candidato Renan Santos reagiu à decisão, chamando-a de “autoritária”. Em nota, a campanha afirmou que tomará medidas judiciais para reverter a suspensão. Poucas horas após o anúncio da medida pelo TSE, o próprio candidato publicou um pronunciamento se posicionando sobre o caso.