Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado denunciou 11 réus por corrupção e lavagem de dinheiro em processo que tramita sob sigilo na capital paulista
Um total de R$ 440 milhões em sanções por danos morais coletivos e sociais é o que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cobra dos 11 réus acusados de integrar uma estrutura criminosa que favorecia o Primeiro Comando da Capital (PCC). A conta resulta de um pedido de R$ 40 milhões para cada denunciado. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e aceita pela Justiça em fevereiro de 2025.
Agentes públicos como escudo da facção
Nas alegações finais do processo penal, os promotores sustentaram que policiais civis envolvidos no esquema atuavam desde 2018 como peça-chave para os objetivos do PCC. De acordo com o memorial de acusação, esses agentes utilizavam suas posições na Polícia Civil para blindar líderes, promotores e financiadores da facção, funcionando como uma verdadeira rede de proteção.
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As investigações revelaram que integrantes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa cometeram crimes entre 2015 e 2023. Segundo o órgão, policiais roubavam relógios de luxo de investigados, vazavam informações sigilosas e mantinham canais diretos de comunicação com a cúpula da organização criminosa. A informação é da CNN Brasil.
O papel da delação de Vinícius Gritzbach
O processo foi construído com base em relatórios de inteligência financeira e na delação premiada do empresário Vinícius Gritzbach. Apelidado de “delator do PCC“, Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos.
Entre os réus civis figura Ahmed Hassan Saleh, identificado como operador financeiro da facção. Ele também é suspeito de ter participado de uma proposta para assassinar o delator.
Lavagem de dinheiro e economia do crime
Os recursos provenientes das atividades ilícitas eram dissimulados por meio daquilo que o MP-SP descreveu como “economia do crime”. O dinheiro era convertido em imóveis, veículos de luxo e empresas de fachada, dificultando o rastreamento dos valores.
Situação dos réus e andamento processual
Um dos delegados mencionados na fase inicial da investigação teve pedido de absolvição integral formulado pelo próprio Ministério Público, por insuficiência de provas. Outros dois policiais também receberam pedidos de absolvição em relação a crimes específicos, como associação criminosa.
Todos os sete policiais civis que figuram como réus permanecem afastados de suas funções. Conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, seis deles seguem presos no presídio da corporação enquanto a Corregedoria conduz as apurações administrativas.
A ação penal corre em sigilo na 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Capital. O próximo passo do processo será a apresentação das alegações de defesa pelos advogados dos réus, após o que o juiz responsável deverá proferir a sentença final.