Magistrados da Corte evitam planejar ida ao Mundial por incertezas ligadas à Lei Magnitsky e possíveis constrangimentos migratórios
A realização da Copa do Mundo em solo norte-americano trouxe um dilema discreto, porém significativo, para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de dúvidas persistentes sobre o alcance de sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, ministros do STF têm optado por não organizar viagens ao torneio. O temor principal é enfrentar barreiras na imigração ou até mesmo restrições de acesso aos estádios.
Sanções baseadas na Lei Magnitsky geraram incerteza
Em 2024, o governo americano aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes com fundamento na Lei Magnitsky. Além disso, restrições de visto atingiram diversas autoridades brasileiras. De acordo com o portal Metrópoles, apenas os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques teriam ficado de fora dessas medidas.
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A sanção contra Moraes chegou a ser suspensa em dezembro do ano passado, poucos dias após um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao governo norte-americano. Ainda assim, a situação dos vistos permanece cercada de indefinição, o que alimenta a cautela entre os magistrados.
Barroso classificou restrições como desconfortáveis
O ministro Luís Roberto Barroso, que encerrou seu mandato na presidência do STF em outubro, já havia se manifestado publicamente sobre o assunto. Em entrevista à CNN Brasil, ele descreveu a restrição de vistos como “desagradável”, embora tenha reconhecido tratar-se de uma decisão soberana de cada país.
Brasil joga exclusivamente nos EUA na fase inicial do torneio
O Mundial de 2026 será realizado em três países: Estados Unidos, Canadá e México. A seleção brasileira, no entanto, terá todos os seus jogos da fase de grupos disputados em território norte-americano. Esse fato intensifica as preocupações de autoridades brasileiras quanto a eventuais controles migratórios.
Restrições também atingem delegação do Irã
Os Estados Unidos também impuseram limitações à circulação da seleção do Irã dentro do país, em meio ao cenário de tensão no Oriente Médio. A medida gerou reclamações formais por parte da Federação Internacional de Futebol (Fifa), entidade responsável pela organização da competição.
Não existe, até o momento, clareza sobre o real alcance das restrições americanas em relação a autoridades brasileiras, o que mantém o clima de incerteza entre os ministros do STF durante todo o período do torneio.