José Guimarães defende aumento da dívida pública para proteger ‘economia popular’ em meio à crise no Oriente Médio
Em café da manhã com jornalistas realizado no Palácio do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), sinalizou que o governo está disposto a ampliar o endividamento do país como forma de blindar a população dos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. A fala surpreende num momento em que projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que a dívida pública brasileira pode alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027.
“Se tiver que aumentar o endividamento do país para salvar a economia popular, tem que fazer”, declarou Guimarães.
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Medidas emergenciais em análise no governo
O foco da estratégia seria impedir que a escalada do conflito internacional provoque uma alta generalizada nos preços de energia, fertilizantes e alimentos no Brasil. Para o ministro, a intensificação da guerra demanda respostas excepcionais, especialmente para proteger as camadas mais vulneráveis da população contra a perda de renda.
Integrantes do governo já discutem um pacote de ações emergenciais para atenuar o impacto da crise sobre o custo de vida. Entre as possibilidades em análise estão:
- Mecanismos de compensação para combustíveis
- Medidas para reduzir o custo de fertilizantes
- Ações para conter a alta de alimentos
A preocupação central é evitar que o encarecimento do diesel, da gasolina e de insumos agrícolas se converta rapidamente em inflação mais alta e em erosão do poder de compra da população.
Fertilizantes no radar e novas medidas nos próximos dias
Guimarães evitou detalhar quais providências específicas serão adotadas, mas adiantou que o governo deve anunciar em breve um conjunto de medidas. Entre elas, estão ações voltadas a mitigar o encarecimento dos fertilizantes — item apontado como de grande potencial para pressionar os preços dos alimentos e dos supermercados.
O ministro também indicou que eventuais novas medidas direcionadas à gasolina ficarão a cargo dos ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e da Fazenda, Dario Durigan.
Ações já implementadas pelo governo
Durante a coletiva, Guimarães destacou iniciativas que o governo já colocou em prática. Uma delas é o acordo firmado entre a União e os estados para subsidiar o diesel por até dois meses. Outra é a redução de tributos federais sobre o combustível.
Somadas, as duas medidas representam uma queda estimada de R$ 0,64 por litro no preço pago pelo consumidor. Segundo o ministro, a proposta já foi aceita por 80% dos estados brasileiros.
FMI projeta dívida pública de 100% do PIB em 2027
A fala de Guimarães ganhou contornos ainda mais delicados porque foi feita poucas horas depois de o FMI divulgar um levantamento com projeções preocupantes para as contas brasileiras. De acordo com os dados do organismo internacional, a dívida pública bruta do Brasil deve atingir 93,3% do PIB em 2025, subir para 96,5% em 2026 e chegar a 100% do PIB em 2027. A trajetória ascendente poderia levar o indicador a 106,5% em 2031.
O Brasil já figura como um dos países emergentes com maior nível de endividamento público. A média entre as nações em desenvolvimento é significativamente inferior a esses patamares, o que torna a disposição do governo em ampliar a dívida pública um tema de forte debate entre economistas e no mercado financeiro.
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