Ação do Gaeco mira estrutura financeira que lavava dinheiro da facção, ocultava patrimônio de líderes e operava ‘tribunais do crime’
Dezoito mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça na manhã desta terça-feira, 21 de julho, contra suspeitos de integrar uma rede clandestina de movimentação financeira a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Bloqueio patrimonial pode chegar a R$ 10 milhões por investigado
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou medidas de bloqueio patrimonial que podem alcançar até R$ 10 milhões por investigado. A ação representa um desdobramento das operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas, já conduzidas anteriormente pelo MPSP.
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Como funcionava o banco paralelo
A principal linha de investigação aponta que o grupo operava uma espécie de banco paralelo a serviço do PCC. Operadores financeiros recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e reinseriam os valores no sistema financeiro por meio de transferências eletrônicas realizadas por empresas de fachada e contas de terceiros.
De acordo com os promotores, a investigação identificou “operações envolvendo entrega de numerário em espécie, transferências bancárias, utilização de empresas e contas de terceiros e movimentação de recursos em benefício de integrantes e colaboradores da facção”.
Líder do PCC é apontado como principal beneficiário
Entre os alvos da operação está Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moja ou Léo do Moinho. Segundo o MPSP, ele é apontado como uma das principais lideranças do PCC em São Paulo. A investigação revelou que Moja utilizava os operadores financeiros para adquirir bens sem vincular seu nome às negociações e justificar a posse de grandes quantias em espécie.
Leonardo Monteiro Moja já havia sido preso em 2024, sendo identificado como principal liderança da facção na Favela do Moinho.
Operadores atuavam em ‘tribunais do crime’
As investigações conduzidas pelo Gaeco também revelaram que a estrutura financeira não se limitava à lavagem de dinheiro. Segundo os promotores, os operadores do PCC também atuavam em chamados “tribunais do crime”, utilizados pela facção para resolver disputas internas.
Operação coordenada pelo Gaeco
A ofensiva desta terça-feira consolida o trabalho de inteligência do Ministério Público paulista contra a estrutura econômica da facção. A coordenação ficou a cargo do Gaeco, que vem acumulando ações voltadas ao desmonte do aparato financeiro do PCC, mirando tanto os responsáveis pela movimentação de recursos quanto os líderes beneficiados pelo esquema.