Diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelam pressão por pagamentos e menção a precatórios
Mensagens retiradas do aparelho de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, indicam que a alta direção da instituição tratava como urgência os repasses destinados à advogada Dalide Corrêa. Em algumas dessas conversas, ela chega a ser apresentada como sócia do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e vieram a público neste sábado (19).
As cobranças por repasses
Nos diálogos, o diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, aparece pressionando Vorcaro para liberar valores ao escritório de Dalide. Numa troca de dezembro de 2024, Rennó insistiu na aprovação de uma fatura e mencionou a suposta relação com o ministro.
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“Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse”, escreveu Rennó, conforme O Globo.
Meses antes, em agosto de 2024, o mesmo executivo já havia solicitado agilidade na liberação de R$ 15 milhões. “Amigo, tudo bem? Quando possível dê ok com certa urgência ao Félix! Turma na outra ponta cobrando forte”, disse. Ao ser questionado por Vorcaro sobre o motivo, respondeu: “Aquela fatura de 15m para a Dra Dalide! André te mandou a explicação ontem! Obtivemos vitória importante no caso da Catende!”.
Investigação da Polícia Federal
Segundo a Polícia Federal, a advogada teria recebido R$ 33 milhões do Master ao longo de 2024. Nas mensagens, o diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, orientava o superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, a efetuar os pagamentos ao escritório de Dalide, justificando que se tratava de um “canal direto com o STF”.
As negativas
Tanto Gilmar Mendes quanto Dalide Corrêa rejeitaram a existência de qualquer sociedade e afirmaram que a associação feita pelos executivos do Master não corresponde à realidade. Em nota, o gabinete do ministro esclareceu que a advogada exerceu função técnica no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), faculdade criada por Gilmar e atualmente dirigida por um de seus filhos.
De acordo com o comunicado, Dalide Corrêa jamais foi sócia do IDP. Ela ocupou o cargo técnico de diretora-geral e deixou a instituição em novembro de 2016 — há quase uma década.
O gabinete acrescentou que “o ministro nunca teve qualquer sociedade com a advogada, nem no IDP nem em qualquer outra empresa. A afirmação atribuída a executivos do Banco Master é falsa. O ministro não tem conhecimento de atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. Dalide Corrêa nunca tratou desse assunto com o ministro. Como já esclarecido, o ministro votou contra o pagamento em todos os processos do setor”.