Justiça

Mendonça bate de frente com defesa de Vorcaro e clima esquenta no STF

Ministro André Mendonça critica conteúdo da delação de Daniel Vorcaro e trava discussão dura com defesa do ex-banqueiro do Banco Master

André Mendonça entra em atrito com advogados de Daniel Vorcaro por conteúdo da delação premiada

O clima entre o gabinete do ministro , do STF (Supremo Tribunal Federal), e a equipe jurídica do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ficou tenso. O magistrado, que é relator do processo envolvendo uma série de crimes atribuídos a Vorcaro, travou discussões ríspidas e em termos duros com a defesa do dono do após avaliar os anexos da delação premiada entregues nesta quarta-feira (6) à PF () e à PGR (Procuradoria-Geral da República).

Lacunas sobre a relação com Davi Alcolumbre preocupam investigadores

Na avaliação de Mendonça, o material apresentado está distante do que a PF já conseguiu reunir ao longo de suas próprias investigações. Um ponto que chama especial atenção é a ausência de esclarecimentos sobre os vínculos de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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Diálogos entre o ex-banqueiro e a ex-namorada Marta Graeff, recuperados de um celular apreendido pela PF, indicam que Vorcaro chegou a se reunir com Alcolumbre na residência oficial do Senado.

A Amprev (Amapá Previdência), responsável pelo regime próprio de previdência do estado, investiu R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, afilhado político de Alcolumbre e alvo da PF em fevereiro.

Próximos passos da negociação e possibilidade de recurso

Cada anexo da delação aborda um episódio distinto de irregularidades cometidas por Vorcaro e por terceiros. O material detalha os crimes que o ex-banqueiro teria praticado, descreve condutas ilícitas envolvendo outras pessoas e apresenta provas que poderão ser entregues caso o acordo seja aceito.

Se Mendonça rejeitar a delação, a defesa de Vorcaro poderá recorrer à Segunda Turma do STF, inclusive para pleitear a libertação dele.

Após a análise dos anexos — que tramitam sob sigilo —, investigadores e advogados passarão a negociar condições como redução de pena e regime de cumprimento. Até agora, o entendimento das autoridades é de que Vorcaro não deve receber perdão judicial. Também serão discutidos valores de multa e ressarcimento que ele terá de pagar ao Estado.

Menções a ministros do STF e impasse sobre alcance dos relatos

Investigadores esperam que Vorcaro detalhe o funcionamento completo do esquema. Pessoas próximas ao ex-banqueiro chegaram a sugerir que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF. Seus advogados, porém, afirmaram posteriormente que ele não pouparia ninguém — o que permitiu destravar a fase inicial das negociações.

Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas em razão de menções e conversas encontradas no celular de Vorcaro. Ambos negam qualquer irregularidade.

Prisões, condições na cadeia e rotina de depoimentos

A equipe de defesa de Vorcaro tem ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília para que seus relatos sejam colhidos.

O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar no aeroporto de Guarulhos. A PF afirma que ele pretendia fugir do país, enquanto Vorcaro alega que viajaria para se encontrar com investidores interessados em adquirir o Banco Master.

Durante a detenção, Vorcaro chegou a ficar 13 dias sem banho de sol e permaneceu três dias trancado em uma cela sem ouvir voz humana. Ele foi solto dez dias após a primeira prisão, mas voltou a ser detido em 4 de março, na fase da operação , que também atingiu servidores do Banco Central.

Cunhado de Vorcaro também busca acordo

Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e igualmente preso nas investigações contra do Banco Master, trocou sua equipe de advogados e agora busca fechar um acordo de delação premiada.

Para que a colaboração de Vorcaro seja homologada, ele terá de apresentar provas inéditas e demonstrar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta.

Procurados, o ministro André Mendonça e a defesa de Daniel Vorcaro não retornaram aos contatos da coluna.

Com Diego Alejandro, Jullia Gouveia e Karina Matias.


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Debate editorial

2 comentários

  1. Nesse tabuleiro quase todas pedras estão podres.
    Para bom entendedor, se desconfia ou tem certeza de como o ” sistema ” funciona.
    E onde tudo vai terminar? Alguns peixes pequenos vão pagar e as ” autoridades” serão poupadas.

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