Análises apontam semelhanças com legislações e documentos corporativos usados no setor financeiro
O manual de ética e compliance elaborado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para o Banco Master passou a ser questionado após análises indicarem possíveis trechos copiados de outras fontes.
Segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, ferramentas de verificação de similaridade textual identificaram que partes do documento apresentam forte semelhança com conteúdos já existentes em leis, normas regulatórias e manuais corporativos utilizados por instituições financeiras.
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Documento reúne trechos semelhantes a normas do setor
De acordo com a análise mencionada, o código de conduta reúne passagens muito próximas a dispositivos legais e políticas de governança amplamente utilizadas no mercado financeiro.
Entre os conteúdos identificados estão referências a:
- normas de prevenção à lavagem de dinheiro
- diretrizes de combate ao financiamento do terrorismo
- políticas de compliance e governança corporativa adotadas por bancos e empresas reguladas.
Manuais desse tipo normalmente orientam o comportamento de funcionários, executivos e parceiros de uma organização, estabelecendo regras sobre ética corporativa, conflitos de interesse, relação com autoridades públicas e prevenção à corrupção.
Ferramentas indicaram alta similaridade textual
A análise citada na reportagem teria sido realizada com o uso de três ferramentas de verificação de similaridade.
Segundo o levantamento mencionado, o documento foi descrito como uma espécie de “colcha de retalhos”, com indícios de plágio e uso de inteligência artificial em mais de 70% do conteúdo.
Manual foi elaborado dentro de contrato com o Banco Master
O código de ética foi produzido como parte de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.
A banca foi contratada para prestar serviços jurídicos e revisar políticas internas de governança e conformidade da instituição financeira.
O acordo ganhou grande repercussão após vir a público que os pagamentos previstos poderiam alcançar cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos.
A relação entre o escritório e o banco passou a ser examinada também no contexto das investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao controle da instituição.
Escritório detalha atividades realizadas
Em nota pública, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados apresentou detalhes sobre os serviços prestados ao Banco Master.
Segundo o escritório, o trabalho incluiu 94 reuniões de trabalho, das quais:
- 79 ocorreram presencialmente na sede do banco, com duração média de três horas
- 13 foram realizadas com a presidência da instituição
- 2 ocorreram presencialmente e 11 por videoconferência
- além de dois encontros remotos com o departamento jurídico.
Produção de pareceres e revisão de políticas internas
O escritório também informou ter produzido 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre diferentes áreas relacionadas às atividades do banco.
Entre os temas abordados estariam:
- questões regulatórias
- aspectos contratuais
- matérias trabalhistas e previdenciárias
- proteção de dados
- operações de crédito
- políticas de compliance.
Segundo a nota, o trabalho incluiu ainda a revisão do programa de compliance do banco, atualização do código de ética e elaboração de políticas internas, como regras de relacionamento com o poder público, gestão de conflitos de interesse e diretrizes para licitações e contratos.
O Compliance era para ensinar a roubar ser ser pego? Deu errado.