Pastor cobra nomes, provas e identificação de líderes religiosos mencionados na CPMI
O pastor Silas Malafaia divulgou um vídeo nas redes sociais em que confronta a senadora Damares Alves (Republicanos) após declarações da parlamentar sobre a suposta participação de igrejas e líderes religiosos em fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tema investigado no âmbito da CPMI.
No vídeo, Malafaia afirma que a acusação é extremamente grave e não pode ser feita de forma genérica, sem a apresentação clara dos responsáveis. Segundo ele, citar “igrejas” e “grandes pastores” sem identificar nomes e templos compromete injustamente todo o meio evangélico.
Trecho de fala da senadora motivou reação
Antes de comentar, Malafaia reproduz um trecho da declaração de Damares. Na fala exibida, a senadora afirma que há pressões para barrar investigações e que igrejas estariam aparecendo em esquemas de fraudes contra aposentados.
“Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. Aí quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘Não falem, não digam, não investigam, porque os fiéis vão ficar muito triste’”, disse Damares. Em outro momento, ela afirma que a situação “machuca muito”.
Cobrança por identificação e provas
Após exibir o trecho, Malafaia reage cobrando detalhamento das acusações. Para ele, uma denúncia desse porte exige transparência total. “Uma questão gravíssima dessa, uma acusação desse nível e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidas na falcatrua(…) Ou a senhora dá os nomes, ou a senhora é uma leviana linguaruda”, afirma no vídeo.
O pastor também sustenta que, caso existam provas, elas devem ser apresentadas de forma objetiva. “Cadê os nomes? A senhora ajuda os líderes evangélicos e a igreja evangélica dando nomes”, declara.
Críticas duras ao comportamento da senadora
Em outro trecho da gravação, Malafaia diz que Damares “não é digna” se não identificar os envolvidos e sustenta que a postura adotada por ela seria “covarde e vergonhosa”. Segundo o pastor, acusações amplas e sem individualização acabam por atingir toda a comunidade evangélica.
Ao encerrar o vídeo, ele afirma que, se houver elementos concretos, a denúncia deve ser levada adiante “pro bem da igreja evangélica” e diz aguardar a divulgação dos nomes citados pela senadora.
Nota de Damares aponta requerimentos da CPMI
Mais cedo, Damares divulgou uma nota afirmando que suas declarações foram dadas em entrevista ao SBT News, no último domingo (11), e que tratam de assuntos já discutidos oficialmente na CPMI. Segundo ela, as informações seriam públicas, constariam em requerimentos apresentados e aprovados pela Comissão e estariam amplamente acessíveis à sociedade.
No texto, a senadora afirma que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em fraudes no INSS causa “profundo desconforto e tristeza”, considerando o papel social e espiritual dessas instituições. Ainda assim, ressalta que a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.
Igrejas e líderes citados em requerimentos
A nota lista requerimentos apresentados durante os trabalhos da Comissão, incluindo pedidos de transferência de sigilo da Adoração Church, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Também são mencionados convites e convocações de líderes religiosos como Cesar Belucci do Nascimento, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes.
Segundo a senadora, os requerimentos se baseiam em indícios apontados em documentos oficiais, especialmente Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal do Brasil, que estariam sendo analisados com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
Nova reação de Malafaia à nota
Após a divulgação do comunicado, Malafaia publicou nova mensagem afirmando que Damares “se contradiz”. Segundo ele, apesar de falar em plural sobre grandes igrejas e líderes, a nota teria citado apenas um nome já conhecido e nenhuma grande denominação.
O pastor sustenta que os demais citados não representariam grandes igrejas nem líderes de projeção nacional e que a generalização feita pela senadora teria “denegrido de maneira geral a igreja evangélica”.