Economia

Mais uma taxa? Boulos e Lula agora miram os entregadores

Governo Lula discute regulamentação de aplicativos com contribuição previdenciária e proposta de remuneração mínima.

Debate envolve remuneração mínima, regras para plataformas e impacto na renda dos trabalhadores

O governo do presidente pretende acelerar a implementação da legislação que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. A proposta vem sendo discutida por integrantes do governo, entre eles o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que defende a criação de regras para equilibrar a relação entre trabalhadores e plataformas digitais.

Segundo Boulos, a ausência de uma regulamentação clara favorece principalmente as grandes empresas do setor, enquanto os trabalhadores continuam enfrentando dificuldades relacionadas à remuneração e às condições de trabalho.

Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão

Entre no grupo

Preocupação com impacto na renda dos trabalhadores

Entre motoristas e entregadores, uma das principais preocupações é que a regulamentação possa resultar em redução da renda líquida.

Isso porque, além das taxas já cobradas pelas plataformas, os trabalhadores poderiam passar a contribuir obrigatoriamente para a Social.

Outro ponto levantado pela categoria é o receio de perda de autonomia, com possíveis mudanças nas regras sobre carga horária ou organização do trabalho.

Grupo de trabalho foi criado para ouvir a categoria

De acordo com o ministro Guilherme Boulos, o governo criou um grupo de trabalho com ministros da gestão Lula para discutir o tema e ouvir representantes dos trabalhadores.

Entre as críticas levantadas durante essas discussões estão as taxas cobradas pelas plataformas, que em alguns casos podem chegar a até 50% do valor pago pelo cliente.

Segundo o ministro, muitos trabalhadores reclamam que arcam sozinhos com custos como:

  • combustível
  • manutenção do veículo
  • equipamentos de trabalho
  • impostos.

Proposta prevê remuneração mínima por corrida ou entrega

Entre as ideias debatidas no processo de regulamentação está a criação de uma remuneração mínima para cada serviço realizado.

A proposta prevê:

  • valor mínimo de R$ 10 por corrida ou entrega
  • acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado.

O objetivo seria garantir uma remuneração básica que ajude a cobrir os custos operacionais enfrentados pelos trabalhadores.

Entregas agrupadas também estão no debate

Outro ponto discutido é o sistema conhecido como “entregas agrupadas”.

Nesse modelo, a plataforma pode cobrar o valor integral de diferentes clientes que estão próximos entre si, mas nem sempre repassa proporcionalmente esses ganhos adicionais aos entregadores.

A proposta em discussão pretende criar regras para que os ganhos logísticos dessas operações sejam distribuídos de forma mais equilibrada entre empresas e trabalhadores.

Governo busca acelerar votação da proposta

Para avançar com a regulamentação, os ministros (Trabalho) e se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O objetivo do encontro foi discutir formas de acelerar a análise do relatório elaborado pelo deputado Augusto Coutinho.

Segundo integrantes do governo, a intenção é garantir segurança jurídica para as plataformas e direitos mínimos para motoristas e entregadores ainda neste ano.


Publicidade

Participe da conversa

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.