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Mais de 20 fetos são encontrados em tambores dentro de hospital da Fiocruz no Rio de Janeiro

Fiscalização do Cremerj encontrou 27 fetos humanos abandonados em tambores com formaldeído no Instituto Fernandes Figueira, unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro

Mais de 20 são encontrados em tambores dentro de hospital da Fiocruz no

Uma vistoria de rotina realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) no dia 6 de abril trouxe à tona um cenário alarmante no Instituto Fernandes Figueira, unidade vinculada à Fiocruz. Na sala de necropsia do hospital, agentes encontraram 27 fetos humanos abandonados dentro de tambores contendo formaldeído — substância química que oferece riscos graves à quando manipulada fora dos padrões técnicos.

Corpos sem documentação há mais de uma década

O relatório elaborado após a inspeção revelou que um dos fetos estava guardado em um recipiente há 16 anos. Os restos mortais apresentavam mais de 20 semanas de gestação ou peso acima de 500 gramas. A legislação brasileira determina que, nessas condições, é obrigatória a emissão de declaração de óbito, seguida de sepultamento ou cremação.

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O avançado estado de decomposição dos corpos, somado ao descarte irregular nos tambores químicos, dificultou significativamente a identificação dos fetos pelos fiscais do conselho.

Protocolo violado e denúncias encaminhadas

Embora o hospital possua autorização para a realização de abortos legais, a manutenção dos corpos estocados em galões de formaldeído contraria frontalmente uma norma de 2005 do Conselho Federal de Medicina, que exige destinação final adequada aos restos mortais.

Assim que concluiu a vistoria, o Cremerj remeteu o dossiê completo ao Ministério Público e à . A denúncia também foi enviada ao Ministério da Saúde, à Defensoria Pública da União e à própria direção da unidade hospitalar. O conselho destacou que a situação configura violação à dignidade humana e às regras básicas de higiene em ambiente hospitalar.

Fiocruz se manifesta sobre o caso

Por meio de nota oficial, a Fiocruz afirmou que busca contato com a Prefeitura do Rio de Janeiro para registrar os óbitos e viabilizar os enterros. O Instituto Fernandes Figueira é reconhecido como referência nacional na saúde da mulher e da criança, o que torna ainda mais grave o cenário descrito pelos fiscais — marcado pelo descaso no manejo de cadáveres e de substâncias tóxicas.

Ministério da Saúde monitora desdobramentos

O Ministério da Saúde declarou que acompanha o caso e adota as medidas necessárias para a correção das falhas identificadas. A pasta reforçou que unidades de saúde são obrigadas a emitir documento de óbito sempre que o feto alcançar 25 centímetros de estatura ou os parâmetros de peso e tempo de gestação previstos em lei. Sem essa documentação, as famílias ficam impossibilitadas de obter certidão em cartório e providenciar o funeral.

Investigações em andamento

Autoridades e sanitárias agora apuram os motivos que levaram o hospital a reter os corpos por tanto tempo sem qualquer registro formal. Nos próximos dias, estão previstos novos depoimentos e perícias nos tambores para determinar a origem de cada feto localizado na unidade da Fiocruz.


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